
Inflação aumenta 0,84% em fevereiro
Marcello Casal JrAgência Brasil
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, registrou uma aceleração significativa em fevereiro, atingindo 0,84%. O número representa um salto em relação ao mês de janeiro, quando a variação havia sido de 0,2%, e superou as expectativas do mercado financeiro. Apesar da alta pontual, o acumulado dos últimos 12 meses apresenta uma trajetória de declínio, recuando para 4,1%.
A movimentação dos preços no período reflete fatores sazonais e pressões específicas em setores de serviços. O grupo Educação foi o principal responsável pelo índice elevado, apresentando uma alta de 5,2%. Esse movimento é característico do mês de fevereiro, devido aos reajustes anuais das mensalidades escolares em diversas instituições de ensino no país.
Além do setor educacional, o grupo de Transportes também exerceu pressão sobre o bolso do consumidor. O aumento foi impulsionado pelo reajuste nas passagens de ônibus urbanos em várias capitais e pela alta no preço da gasolina. Surpreendentemente, as passagens aéreas, que costumam registrar queda de preço nesta época do ano, também contribuíram para a elevação do índice.
Análise econômica e perspectivas
Segundo a análise de Juliana Rosa, o resultado de fevereiro causou surpresa pelo vigor da alta, superando as projeções iniciais. Entre as causas prováveis para esse comportamento acima do previsto, destaca-se o mercado de trabalho aquecido. A limitação na oferta de mão de obra tem gerado um aumento real nos salários, o que acaba sendo repassado para o setor de serviços, elevando os custos finais.
Por outro lado, alguns setores atuaram como âncoras para evitar um índice ainda maior. O grupo de Alimentos e Bebidas segue com comportamento estável, beneficiado pela valorização do real frente ao dólar e pela boa safra agrícola nacional. Outros itens que registraram queda foram o vestuário e a conta de energia elétrica, que permanece com a bandeira verde acionada — sinalizando que não há custo adicional na geração de energia.
Eduardo Oinegue questiona os impactos desse cenário na política monetária brasileira. Para Juliana Rosa, apesar do "susto" registrado na prévia de fevereiro, a perspectiva macroeconômica para o restante do ano permanece positiva. A previsão é que a inflação acumulada recue para patamares abaixo de 4% até o fechamento do mês.
Nesse contexto, Juliana Rosa ressalta que o atual patamar da taxa de juros, fixada em 15%, é considerado desproporcional ao comportamento da inflação em queda.
A especialista aponta que a manutenção de juros elevados tem gerado um cenário de sufocamento financeiro para empresas e famílias brasileiras, dificultando o consumo e os investimentos produtivos no país. O mercado agora aguarda o fechamento do índice consolidado para avaliar os próximos passos do Comitê de Política Monetária.
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