
Influenciadores lucram com rachas e manobras perigosas nas avenidas de SP
Band TV
A prática criminosa de rachas voltou a desafiar a fiscalização nas principais vias de São Paulo, impulsionada por uma nova dinâmica: a monetização em redes sociais. Diferente de anos anteriores, em que as corridas eram estritamente clandestinas, agora influenciadores digitais utilizam o asfalto da capital paulista como palco para gerar conteúdo, atraindo milhares de seguidores e lucrando com a exibição de manobras perigosas.
Os encontros são organizados minuciosamente pela internet e geralmente ocorrem durante a madrugada em postos de combustíveis, como os localizados na Marginal Pinheiros. O produtor Leandro Santana se infiltrou em um desses grupos e registrou a logística dos participantes, que utilizam kits de filmagem profissionais e celulares posicionados estrategicamente dentro de carros importados para registrar a alta velocidade e alimentar rivalidades online.
Modificações e riscos no trânsito
Para garantir vantagem nas competições, os participantes investem pesado na modificação dos veículos. Motores são alterados, turbinas reforçadas e peças originais são substituídas por componentes de alta performance. Em um dos registros obtidos pela reportagem, o painel de um dos veículos chega a marcar 300 km/h, uma velocidade incompatível com a segurança viária e as normas de trânsito vigentes.
As exibições, no entanto, não se limitam ao período noturno. Imagens mostram influenciadores realizando manobras e "costurando" entre outros veículos em plena luz do dia, no meio do fluxo intenso de carros. O orgulho demonstrado nas postagens ignora o perigo iminente para motoristas e pedestres que circulam pela maior cidade do país.
Consequências jurídicas e punições
Participar de rachas é crime previsto no Código de Trânsito Brasileiro, com penas que variam de seis meses a três anos de detenção. Contudo, o rigor da lei aumenta drasticamente caso a prática resulte em tragédias: quando o racha termina em morte, os responsáveis podem enfrentar condenações de até 20 anos de cadeia.
Especialistas em Direito de Trânsito defendem que, além da punição aos motoristas, as plataformas digitais deveriam ser obrigadas a retirar o material do ar para cessar a monetização do crime.
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