
Irã respondeu ataque; fumaça é vista em Israel
REUTERS/Ammar Awad
Resumo
Drones de baixo custo e mísseis de curto e médio alcance se consolidam como a principal arma do Irã contra sistemas de defesa de Estados Unidos e Israel na guerra que, há cinco dias, transforma o espaço aéreo do Oriente Médio no principal campo de batalha.
Imagens divulgadas por autoridades e veículos locais mostram a intensidade dos bombardeios recentes. Segundo o governo israelense, pela primeira vez um caça F-35 abateu em combate direto uma aeronave tripulada iraniana, um Yak-30 usado principalmente para treinamento e tecnologicamente inferior.
Com uma frota aérea e naval antiga, sem condições de enfrentar diretamente o poderio de americanos e israelenses, Teerã aposta no vasto arsenal de drones e mísseis. Nesta semana, a agência estatal iraniana divulgou um vídeo de túneis onde o país afirma armazenar parte desses armamentos.
Guerra de custos favorece ofensiva iraniana
Na chamada ‘batalha dos custos’, a vantagem iraniana é clara. Um drone tático custa em média de US$ 20 mil a US$ 50 mil, enquanto os mísseis usados para abatê-los variam de US$ 500 mil a US$ 1,5 milhão. Cada míssil balístico lançado pelo Irã sai por cerca de US$ 1 milhão a US$ 2 milhões, mas interceptá-lo exige sistemas avaliados entre US$ 4 milhões e US$ 5 milhões.
Na prática, trata-se de um conflito em que tem custado muito mais se defender do que atacar, o que pressiona os estoques de munição dos aliados dos Estados Unidos na região.
Para o professor de relações internacionais da ESPM, Leonardo Trevisan, a guerra expõe a mudança no campo de batalha. "Esquece o tanque. Tanque de guerra hoje virou corcel velho. Não que ele não funcione, mas ele é um alvo fácil".
Trevisan avalia que os Estados Unidos subestimaram esse movimento. "O Pentágono meio que não prestou a devida atenção a esse processo e, se você me perguntasse estrategicamente, ninguém contava com uma necessidade como essa", afirma o especialista.
Aliados dos EUA no Golfo sofrem com falta de interceptores
Ao menos dez países do Oriente Médio já sofreram ataques iranianos, diretos ou indiretos. Em um cenário de conflito prolongado, a resistência logística tende a pesar tanto quanto o poder de fogo, já que baterias de defesa aérea levam anos para ser produzidas.
Nos Emirados Árabes Unidos, os sistemas de defesa teriam conseguido interceptar 92% dos drones e mísseis lançados até agora. A taxa de sucesso, porém, convive com um problema crescente: o estoque de munições está perto do limite, e a reposição de equipamentos capazes de interceptar mísseis balísticos pode levar de dois a três anos.
O Catar enfrenta uma situação ainda mais crítica. De acordo com as estimativas, o país teria interceptadores suficientes para apenas mais quatro dias de guerra, o que aumenta a pressão diplomática por uma contenção rápida da escalada.
Conflito se mistura à sucessão em Teerã
Desde os bombardeios do último sábado, o governo iraniano lida simultaneamente com a guerra externa e o luto interno pela morte do aiatolá Ali Khamenei. A cerimônia de despedida do líder supremo vem sendo adiada por questões logísticas e de segurança, já que reunir uma multidão de apoiadores poderia se transformar em alvo de novos ataques.
O nome mais cotado para assumir o posto é o de Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá. Para observadores, a eventual escolha sinalizaria continuidade de uma linha dura dentro do regime, com pouca ou nenhuma mudança na orientação política e ideológica do país em meio à confrontação com Estados Unidos, Israel e aliados.
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