A justificativa israelense para o início do conflito com o Irã é tentar deter a possibilidade de o regime dos Aiatolás conseguir a bomba atômica. Ao contrário do país persa, Israel já detêm esse poderio altamente destrutivo - seriam até 90 ogivas nucleares.
As imagens dos ataques aéreos no Irã e em Israel sinalizam para uma nova etapa do conflito no Oriente Médio. São cenas que assustam e trazem mais preocupações em uma região tão explosiva.
Cerca de dois mil quilômetros separam Israel do Irã. Iraque e Jordânia estão entre os dois países, o que dificulta qualquer conflito terrestre. O Irã tem 75 vezes o tamanho de Israel, e uma população nove vezes maior.
Israel é o único país da região que possui armas nucleares
Israel é o único país da região que possui armas nucleares. Segundo a Federação de Cientistas Americanos, o país possui 90 ogivas. Aliás, a questão nuclear está na raiz da escalada do conflito.
O exército israelense atacou instalações militares no Irã porque diz que o país persa estaria tentando desenvolver armas nucleares. O Irã nega e diz que o programa é para gerar energia. O bombardeio matou chefes militares e cientistas iranianos.
Israel não confirma ter bombas atômicas e como não assinou o Tratado de não-proliferação nuclear, não é submetido à fiscalização de agências internacionais.
“Possuir armas nucleares não significa que essas armas serão usadas. Significa que quem possui a arma nuclear tem um poder de persuasão e dissuasão. Não me ataque, porque eu posso contra-atacar de uma forma devastadora”, explica o professor de relações internacionais Sidney Leite.
Israel tem a 15ª maior força militar do mundo e o Irã aparece logo na sequência, na 16ª posição. O Irã conta com 610 mil militares na ativa, contra 170 mil de Israel, que apesar da desvantagem numérica, investe quase 3 vezes mais em defesa.
Israel opera ainda com armas muito mais modernas: seus 340 caças incluem 39 F-35, a aeronave de combate mais avançada do mundo, enquanto o Irã ainda depende de modelos antigos como F-4 e F-5.
Ao mesmo tempo, o país persa tem investido em misseis de curto e médio alcance, capazes de atingir Israel. São mais de 3 mil misseis, além de quase quatro mil drones. O exército iraniano tem, inclusive, fornecido drones para a Rússia na guerra da Ucrânia. Já Israel criou um eficiente sistema de defesa antiaérea, o domo de ferro, capaz de neutralizar a maioria dos ataques aéreos. Uma vantagem que pode ser decisiva.
“Sistema de defesa iraniano está neutralizado. O que acontece é que diante da vantagem estratégica que Israel tem, eu acredito que o custo da paz iraniana já aumentou. Porque está muito fácil de Israel sobrevoar Teerã e fazer o que ele quer”, disse Marco Túlio, doutor pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.
Os dois governos já enfrentavam problemas internos antes do conflito. Diversos protestos têm sido registrados em Israel contra Benjamin Netanyahu. O primeiro-ministro do país é acusado de corrupção, e com a população cansada da situação em Gaza, onde Israel já massacrou mais de 50 mil palestinos, se mantém no poder com apoio de partidos ultra ortodoxos religiosos.
No Irã, o regime teocrático do Aiatolá Ali Khamenei também tem enfrentado protestos de grupos que querem mais liberdade.
O risco agora é escalar para uma guerra mais intensa e duradora. Interessa para as duas partes. No caso de Israel, para o governo Netanyahu, une a população, porque diferente da guerra em gaza que divide a população, eles veem o Irã como um inimigo forte, que precisa ser derrotado, e que representa de fato uma ameaça para israel. E, para o irã, enfrentar diretamente um inimigo, e também pressionar um inimigo extra regional que são os Estados Unidos”, explicou Karina Stange, mestre em relações internacionais, ao Jornal da Band.
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