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Japão protesta contra visita de Putin a ilhas disputadas com a Rússia

Presidente russo fez sua primeira visita às Curilas reivindicadas por Tóquio; disputa territorial impede tratado de paz desde a Segunda Guerra

Deutsche Welle
DEUTSCHE WELLE

13/08/2026 • 20:53 • Atualizado em 13/08/2026 • 20:53

O governo do Japão apresentou um protesto formal contra a visita do presidente da Rússia, Vladimir Putin, a Iturup, a maior das quatro ilhas Curilas reivindicadas por Tóquio. Esta foi a primeira viagem de Putin ao território disputado durante seus mais de 25 anos no poder e ocorre em meio à deterioração das relações entre os dois países.

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A visita ocorreu depois de Putin acompanhar exercícios militares navais no Extremo Oriente russo. Em Iturup, chamada de Etorofu pelos japoneses, o presidente visitou instalações locais, incluindo uma escola, um hospital e uma indústria de processamento de pescados, onde experimentou caviar.

Iturup é uma das quatro ilhas mais ao sul do arquipélago das Curilas reivindicadas pelo Japão. A Rússia controla o território, enquanto Tóquio se refere às quatro ilhas como Territórios do Norte e sustenta que elas pertencem historicamente ao país.

O Ministério das Relações Exteriores japonês convocou o embaixador russo em Tóquio, Nikolai Nozdrev, para apresentar um protesto formal. O chanceler Toshimitsu Motegi classificou a viagem como incompatível com a posição japonesa sobre a soberania das ilhas.

A primeira-ministra Sanae Takaichi também condenou a presença de Putin no arquipélago e classificou a visita como "absolutamente inaceitável". Segundo ela, a viagem prejudica as relações entre Japão e Rússia.

A disputa remonta ao fim da Segunda Guerra Mundial. Tropas soviéticas ocuparam as ilhas em 1945, depois da rendição japonesa, e o território permaneceu sob controle de Moscou após a dissolução da União Soviética. A falta de um acordo sobre as quatro ilhas impede que Rússia e Japão tenham assinado até hoje um tratado formal de paz para encerrar o conflito da Segunda Guerra.

O arquipélago tem importância econômica e militar. Além das áreas de pesca, as ilhas possuem recursos naturais e ocupam uma posição estratégica entre o Oceano Pacífico e o Mar de Okhotsk. A Rússia também mantém presença militar na região, que já serviu como base aérea e naval durante a Guerra Fria.

Moscou rejeitou o protesto japonês e reafirmou que considera as ilhas parte do território russo. O ex-presidente Dmitry Medvedev também reagiu às críticas de Tóquio e declarou que o território continuará sob controle da Rússia.

A visita ocorre ainda em um momento de forte tensão entre Moscou e Tóquio. O Japão aderiu às sanções impostas à Rússia após a invasão da Ucrânia, em 2022, e as negociações sobre a disputa territorial foram afetadas pela deterioração das relações bilaterais. Putin também criticou o apoio japonês às sanções ocidentais.

A viagem, realizada dois dias antes das cerimônias japonesas que marcam o fim da Segunda Guerra Mundial, é interpretada também como uma demonstração da posição de Moscou de que não pretende abrir mão da soberania sobre as ilhas.