O governo do Japão apresentou um protesto formal contra a visita do presidente da Rússia, Vladimir Putin, a Iturup, a maior das quatro ilhas Curilas reivindicadas por Tóquio. Esta foi a primeira viagem de Putin ao território disputado durante seus mais de 25 anos no poder e ocorre em meio à deterioração das relações entre os dois países.
A visita ocorreu depois de Putin acompanhar exercícios militares navais no Extremo Oriente russo. Em Iturup, chamada de Etorofu pelos japoneses, o presidente visitou instalações locais, incluindo uma escola, um hospital e uma indústria de processamento de pescados, onde experimentou caviar.
Iturup é uma das quatro ilhas mais ao sul do arquipélago das Curilas reivindicadas pelo Japão. A Rússia controla o território, enquanto Tóquio se refere às quatro ilhas como Territórios do Norte e sustenta que elas pertencem historicamente ao país.
O Ministério das Relações Exteriores japonês convocou o embaixador russo em Tóquio, Nikolai Nozdrev, para apresentar um protesto formal. O chanceler Toshimitsu Motegi classificou a viagem como incompatível com a posição japonesa sobre a soberania das ilhas.
A primeira-ministra Sanae Takaichi também condenou a presença de Putin no arquipélago e classificou a visita como "absolutamente inaceitável". Segundo ela, a viagem prejudica as relações entre Japão e Rússia.
A disputa remonta ao fim da Segunda Guerra Mundial. Tropas soviéticas ocuparam as ilhas em 1945, depois da rendição japonesa, e o território permaneceu sob controle de Moscou após a dissolução da União Soviética. A falta de um acordo sobre as quatro ilhas impede que Rússia e Japão tenham assinado até hoje um tratado formal de paz para encerrar o conflito da Segunda Guerra.
O arquipélago tem importância econômica e militar. Além das áreas de pesca, as ilhas possuem recursos naturais e ocupam uma posição estratégica entre o Oceano Pacífico e o Mar de Okhotsk. A Rússia também mantém presença militar na região, que já serviu como base aérea e naval durante a Guerra Fria.
Moscou rejeitou o protesto japonês e reafirmou que considera as ilhas parte do território russo. O ex-presidente Dmitry Medvedev também reagiu às críticas de Tóquio e declarou que o território continuará sob controle da Rússia.
A visita ocorre ainda em um momento de forte tensão entre Moscou e Tóquio. O Japão aderiu às sanções impostas à Rússia após a invasão da Ucrânia, em 2022, e as negociações sobre a disputa territorial foram afetadas pela deterioração das relações bilaterais. Putin também criticou o apoio japonês às sanções ocidentais.
A viagem, realizada dois dias antes das cerimônias japonesas que marcam o fim da Segunda Guerra Mundial, é interpretada também como uma demonstração da posição de Moscou de que não pretende abrir mão da soberania sobre as ilhas.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

