Um evento oficial do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), destinado ao lançamento de um programa de combate à violência contra a mulher, tornou-se palco de crimes de injúria racial nesta semana. Dois magistrados de alta relevância no cenário jurídico nacional foram alvos de insultos proferidos por espectadores nos comentários de uma transmissão ao vivo pelas redes sociais.
As ofensas foram direcionadas aos juízes Franciele Pereira do Nascimento, juíza auxiliar da presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), e Fábio Francisco Esteves, conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Durante a live, diversos perfis — a maioria utilizando pseudônimos ou identidades anônimas — publicaram frases de cunho racista, incluindo menções pejorativas a ambientes de escravidão e questionamentos sobre a presença dos magistrados negros no evento. Um dos perfis envolvidos no ataque fazia alusão direta a Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais nos Estados Unidos.
Investigação e resposta institucional
Apesar da tentativa dos autores de esconderem suas identidades através do anonimato digital, as autoridades ressaltam que os responsáveis poderão ser identificados por meio de rastreamento técnico. A Polícia Civil do Paraná já iniciou as investigações para localizar os donos das contas que propagaram o discurso de ódio.
A presidente do TJ-PR, Lidia Maejima, manifestou indignação com o ocorrido. Para a magistrada, o fato de o crime ter ocorrido justamente em um espaço de debate sobre proteção e direitos humanos torna a situação ainda mais grave. "Que um ato de ódio tenha irrompido precisamente neste espaço não é ironia. É uma afronta que exige resposta clara", declarou Maejima.
O Tribunal informou que está colaborando com os órgãos de segurança para garantir que os envolvidos sejam responsabilizados criminalmente. O episódio gerou uma onda de solidariedade aos juízes Franciele Pereira do Nascimento e Fábio Francisco Esteves, além de reforçar o debate sobre a segurança em transmissões de órgãos públicos e a necessidade de punições rigorosas para crimes de racismo no ambiente digital.
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