O mercado de trabalho está perdendo força. Depois de um começo de ano com números fortes do emprego formal, acompanhando a aceleração da economia, os resultados estão vindo mais fracos.
A criação de vagas com carteira assinada em maio, 72 mil, foi o pior resultado para o mês desde 2020 — assim como o acumulado do ano, de 760 mil.
Todos os setores contrataram, com serviços puxando a geração de vagas, mas chama atenção o número muito baixo do comércio. O salário médio, de R$ 2.384, caiu em relação a abril, na mesma direção apontada pela pesquisa do IBGE divulgada na semana passada.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, culpou os juros altos. Mas a economia vinha crescendo acima do potencial, a inflação acelerou e os juros subiram justamente para segurar o crescimento e reduzir preços. É um remédio amargo que está fazendo efeito.
O problema é a dose: ela está cavalar, provocando endividamento recorde. E não precisaria ser tão alta se o setor público – governo, Congresso e Judiciário – não estivesse gastando tanto, o que dificulta a queda da inflação.
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