A inadimplência nos bancos bateu recorde em maio, segundo o Banco Central, e os números ainda não mostram qualquer efeito do programa Desenrola, lançado pelo governo no mesmo mês. A expectativa é que algum alívio comece a aparecer apenas ao longo do segundo semestre.
O atraso nas operações com recursos livres — que reúnem cheque especial, rotativo do cartão e crédito pessoal não consignado — subiu para 7,6% entre as pessoas físicas, o maior patamar desde 2011. Entre as empresas, o índice é menor, mas também recorde: o mais alto em quase dez anos.
A alta acumulada no último ano, no recorte das pessoas físicas, é reflexo do elevado grau de endividamento das famílias, que já comprometem cerca de 30% da renda mensal com o pagamento de dívidas, somado ao peso de juros muito altos. As modalidades que mais crescem são justamente as mais caras – o rotativo do cartão e o cheque especial –, enquanto os bancos vêm concedendo menos crédito.
O alívio proporcionado pelo Desenrola, no entanto, tende a ser temporário. As condições que empurram as famílias para o endividamento seguem presentes: juros altos, inflação, gasto público excessivo e um crescimento mais lento da economia. O país precisa de uma agenda que mude a estrutura do problema, e não apenas de medidas pontuais de renegociação.
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