
Juros altos causam problemas para a indústria
Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Os juros elevados consolidam-se como um dos principais obstáculos para o crescimento da indústria brasileira, provocando uma retração severa nos investimentos e na produção. Em 2025, o cenário de taxas altas resultou em uma queda drástica nas encomendas de equipamentos pesados e afetou diretamente o balanço financeiro de companhias do setor.
A tendência, segundo empresários e entidades de classe, é que o quadro de dificuldades se repita ao longo deste ano, prejudicando a geração de empregos e a competitividade do mercado interno.
Retração nas encomendas e impacto na produção
A fabricação de máquinas para a indústria têxtil exemplifica o momento crítico vivido pelo setor. Uma empresa com mais de 50 anos de atuação, que exporta para a América Latina, registrou uma queda acentuada em sua linha de produção.
Há 15 anos, a fábrica entregava 500 equipamentos anualmente; em 2024, esse número caiu para 158 teares e, em 2025, fechou com apenas 126 encomendas.
Cada máquina produzida custa, em média, R$ 400 mil. Para Fernando Torelli, o cliente depende diretamente de juros baixos para viabilizar a compra desses equipamentos. Ele avalia que, sem taxas atrativas, a venda torna-se quase impossível, o que desestimula a fabricação nacional e favorece a importação de tecidos prontos de outros países.
Custo do capital afasta novos investimentos
Com a taxa básica de juros, a Selic, fixada em 15%, o custo final para quem busca crédito para investir no setor industrial chegou a quase 20% no último ano. Segundo a análise de especialistas apresentada no Jornal da Band, esse patamar de juros trava a roda da economia e afasta investidores.
De acordo com dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), as taxas de juros figuram entre os três maiores problemas enfrentados pelas fábricas brasileiras. O setor também lida com uma elevada carga tributária e uma demanda interna insuficiente para sustentar o crescimento.
Reflexos no emprego e nos lucros corporativos
A baixa atratividade para novos aportes financeiros reflete diretamente no mercado de trabalho. Para Márcio Guerra, as taxas elevadas impedem a ampliação da capacidade produtiva, o que seria essencial para criar novos negócios e abrir vagas de emprego.
Até mesmo empresas que registraram alta no faturamento sentiram o peso do cenário econômico. Uma das maiores companhias de locação de máquinas pesadas e equipamentos para construção civil viu seu lucro cair 4,8% no último trimestre de 2025, apesar de um aumento de 15% em sua receita. Renata Vaz explica que a queda no lucro ocorreu devido à necessidade de captar novas dívidas para suportar o crescimento, o que resultou em um pagamento maior de juros pelo volume de endividamento e pela alta das taxas.
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