Jornal da Band

Justiça suspende obras de tirolesa no Pão de Açúcar

Decisão interrompe construção no cartão-postal do Rio e exige plano de gestão ambiental para a área concedida à concessionária

AMANDA MARTINS

01/04/2026 • 21:52 • Atualizado em 01/04/2026 • 21:52

Tirolesa

Tirolesa

Reprodução/Band

A Justiça Federal do Rio de Janeiro determinou a suspensão imediata das obras da tirolesa que ligaria o Morro da Urca ao Pão de Açúcar, um dos principais pontos turísticos do país. A sentença, proferida pelo juiz federal Paulo André Espírito Santo, prevê o pagamento de uma multa de 30 milhões de reais caso a determinação seja descumprida.

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A decisão judicial também estabelece que a empresa responsável pela administração do Bondinho apresente, em um prazo de até 120 dias, um Plano Diretor de Gestão para a área concedida. O magistrado destacou o valor simbólico e ambiental do local, que possui classificação de patrimônio de relevância mundial, exigindo proteção rigorosa contra intervenções que possam descaracterizar a paisagem.

Impactos ambientais e resistência de moradores

O projeto da tirolesa, com extensão prevista de quase 800 metros, enfrenta forte resistência de moradores da região e de grupos de preservação ambiental. Para o presidente da Associação de Moradores da Urca, Aurimar dos Prazeres, a construção traria impactos negativos diretos ao bairro, como o aumento do ruído e a intensificação do fluxo de pessoas em uma área que possui apenas uma via de entrada e saída.

O Pão de Açúcar é um bem tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco. Essas titulações impõem regras rígidas para qualquer tipo de intervenção estrutural. Moradores e guias turísticos, como Christian Cahen, questionam a necessidade da atração, argumentando que a beleza natural do local já é suficiente para atrair visitantes.

Histórico de disputas judiciais

As obras têm sido alvo de polêmicas desde o início das perfurações na rocha. Em 2023, o projeto já havia sido paralisado por questionamentos sobre danos ambientais. No entanto, em março deste ano, os trabalhos foram retomados após uma autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que agora é sobreposta por esta nova decisão da primeira instância federal.

Em nota oficial, o Iphan informou que ainda não foi intimado sobre a nova decisão judicial, mas garantiu que tomará as medidas cabíveis assim que receber a notificação. A concessionária que administra o Bondinho Pão de Açúcar afirmou que pretende recorrer da sentença para garantir a continuidade do empreendimento turístico. O caso segue em tramitação na Justiça Federal.

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