
Polícia Militar de São Paulo
Divulgação/SSP
A Polícia Militar prendeu em flagrante um homem disfarçado de entregador que tentava roubar medicamentos de uma farmácia na Zona Oeste de São Paulo. A ação ocorreu na madrugada, por volta de 1h20, no momento em que os criminosos rendiam funcionários para subtrair especificamente canetas emagrecedoras.
Imagens de monitoramento mostram o momento em que a motocicleta chega ao local e o garupa desce para anunciar o assalto. Os funcionários foram rendidos e levados para a sala de refrigeração, onde as canetas são armazenadas.
O assaltante, no entanto, não teve tempo de ensacar os produtos, pois foi surpreendido por uma equipe policial que patrulhava a região e notou a movimentação suspeita. Um dos envolvidos foi detido, enquanto outros dois conseguiram fugir.
Reincidência e o mercado paralelo de medicamentos
A polícia investiga se o grupo é o mesmo responsável por roubos a outras duas farmácias na mesma região na semana passada, utilizando o mesmo modus operandi. Segundo o sargento da PM Rai Santos, uma das vítimas reconheceu o indivíduo como o autor de um roubo ocorrido na última quinta-feira.
De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), o combate a essa modalidade de crime tem sido intensificado:
- Somente neste ano, sete acusados de roubar farmácias já foram presos no estado.
- No ano passado, mais de 100 criminosos foram detidos por este crime.
- Cerca de R$ 1,3 milhão em produtos e medicamentos foram recuperados, sendo a maioria composta por canetas emagrecedoras.
A alta demanda por esses medicamentos no mercado paralelo impulsiona os roubos, mas traz graves riscos à saúde pública. Como as canetas exigem refrigeração constante, o armazenamento incorreto durante o transporte ilegal pode comprometer a eficácia da substância. Além disso, há o risco de o produto ser adulterado. A Anvisa reforça que o uso desses medicamentos deve ocorrer estritamente com acompanhamento médico.
Perspectivas para o tratamento da obesidade
A expectativa de especialistas é que o mercado ilegal desses fármacos perca força com o avanço de novas tecnologias. Para o endocrinologista Marcio Mancini, chefe do Grupo de Obesidade do Hospital das Clínicas da FMUSP, a transição para medicamentos de via oral deve mudar o cenário atual.
Mancini explica que as pesquisas indicam a substituição das canetas injetáveis por comprimidos, que devem custar cerca de 10% do valor atual dos injetáveis. Essa redução drástica no preço, além de desestimular os roubos, pode democratizar o acesso ao tratamento contra a obesidade, permitindo inclusive a oferta dessas substâncias na rede pública de saúde.
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