Jornal da Band

Lei endurece pena para furto de cabos após transtornos nos trens de SP

Nova legislação dobra tempo de prisão para criminosos; transporte sobre trilhos em São Paulo registrou mais de 70 ocorrências apenas em 2026

Olívia Freitas
OLÍVIA FREITAS

06/05/2026 • 19:42 • Atualizado em 07/05/2026 • 00:12

O governo federal sancionou uma nova lei que endurece as penas para os crimes de furto, roubo e receptação de fios e cabos de energia. A medida ocorre em um momento crítico para o transporte público, especialmente em São Paulo, onde o mercado paralelo de cobre tem provocado interrupções sistemáticas na operação de trens e metrô. Com a nova regra, a punição para o furto de materiais utilizados em serviços essenciais, como energia elétrica e transporte, passa do intervalo de 1 a 4 anos para 2 a 8 anos de reclusão.

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A gravidade do cenário é refletida nos dados operacionais de 2026. Somente neste ano, as operadoras de transporte sobre trilhos em São Paulo já contabilizaram 73 ocorrências de furtos de cabos. Desse total, pelo menos 32 episódios impactaram diretamente a circulação dos comboios, forçando os passageiros a enfrentarem atrasos e viagens em velocidade reduzida. Um dos casos mais recentes afetou a Linha 7-Rubi, que conecta Jundiaí à capital paulista, prejudicando o deslocamento de trabalhadores e estudantes.

Mesmo sistemas recém-inaugurados não escapam da ação dos criminosos. A Linha 17-Ouro do monotrilho, em operação há pouco mais de um mês, já foi alvo de cinco furtos de cabos de energia. Em três dessas ocasiões, o serviço foi interrompido ou operou com restrições. O interesse dos grupos criminosos reside no cobre, metal de alto valor comercial que alimenta um mercado paralelo de sucatas.

A "lavagem" do cobre e o impacto social

Para o especialista Rafael Alcadipani, o esquema criminoso envolve uma etapa de "lavagem" do produto ilícito para que ele retorne ao mercado legal. Segundo explica Alcadipani, ferros-velhos recebem o material furtado e o revendem para empresas terceiras. Ao emitirem notas fiscais que classificam o material como sucata legalizada, os receptadores conseguem ocultar a origem criminosa do cobre, dificultando a fiscalização e o rastreio pelas autoridades.

Os transtornos causados por essas ações recaem diretamente sobre a população. No cotidiano das estações, passageiros relatam perdas que vão além do tempo de deslocamento. Para os usuários do sistema, como a vendedora Aline Souza e a professora Ana Coutinho, as falhas provocadas pelos furtos resultam em atrasos comprometedores em compromissos profissionais e escolares.

A sensação de prejuízo generalizado é reforçada pela aposentada Ivete Siqueira, que ressalta que a interrupção de uma linha férrea desarticula toda a rotina da cidade, afetando desde idas ao médico até o dia de trabalho. Com o endurecimento da lei, a expectativa das autoridades é desestimular a prática e desarticular a cadeia financeira que sustenta o roubo de fiação no país.