Jornal da Band

Líder de grupo terrorista paraguaio é preso pela Rota em Guarulhos (SP)

Crispin Fernandez, condenado por homicídio e operador logístico de facção armada, aguarda extradição após ser localizado com documentos falsos na Grande São Paulo

Rodrigo Hidalgo
RODRIGO HIDALGO

30/12/2025 • 22:19 • Atualizado em 30/12/2025 • 22:19

Policiais militares da Rota prenderam em Guarulhos, na Grande São Paulo, o traficante paraguaio Crispin Fernandez, de 55 anos. Apontado como operador logístico da facção criminosa Exército do Povo Paraguaio (EPP), Fernandez estava foragido desde 2021 e tinha seu nome incluído na lista de procurados da Interpol devido a uma condenação por homicídio em seu país de origem.

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A localização do suspeito em território brasileiro chamou a atenção das autoridades pela distância de sua base de atuação. O comandante da Rota, Vergilio Correa Mariano, ressaltou que o refúgio em São Paulo foge ao padrão comum, já que criminosos daquela região costumam buscar anonimato em países vizinhos do Cone Sul ou em áreas próximas à fronteira. Fernandez tentava se passar por um imigrante comum utilizando documentos falsos.

Aliança com o crime organizado e atuação terrorista

O EPP, grupo ao qual Fernandez é vinculado, é classificado como uma organização terrorista pelo governo do Paraguai. Surgido como um grupo armado no norte do país, o movimento é acusado de uma série de crimes graves, incluindo ataques a forças de segurança, extorsões e sequestros.

Um dos casos de maior impacto atribuídos à facção é o sequestro do ex-vice-presidente do Paraguai, o fazendeiro Oscar Denis, ocorrido há cinco anos em uma região próxima à fronteira com o Mato Grosso do Sul. Enquanto um funcionário capturado na mesma ocasião foi libertado dias depois, Denis permanece desaparecido até hoje.

A Polícia Civil investiga agora se Crispin Fernandez recebia proteção do Primeiro Comando da Capital (PCC) durante sua permanência no Brasil. Segundo as investigações, o EPP mantém uma aliança com a facção brasileira pelo menos desde 2016. Nesse acordo, os guerrilheiros paraguaios garantiriam proteção às rotas de tráfico de drogas e armas em troca de financiamento, facilitando a movimentação de integrantes do crime organizado entre os dois países.

O futuro de Crispin Fernandez agora depende do Supremo Tribunal Federal (STF), que deverá decidir sobre o pedido de extradição para que ele cumpra sua pena no Paraguai.

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