Jornal da Band

Livro resgata história dos debates eleitorais e a força dos encontros na TV

Obra analisa o impacto dos debates nos rumos do Brasil e destaca a exposição dos candidatos diante do eleitor, sem filtros ou marqueteiros

Sérgio Gabriel
SÉRGIO GABRIEL

11/04/2026 • 20:21 • Atualizado em 11/04/2026 • 20:21

A importância dos debates eleitorais para a democracia brasileira ganha uma análise aprofundada com o lançamento do livro "Debates Eleitorais, prepare-se ou morra". A obra, escrita por Rodrigo Mendes e Leonardo Lamounier, foi apresentada durante a festa do livro no campus da USP Leste e explora os bastidores, os riscos e a influência desses encontros na decisão do voto.

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O lançamento ocorre em um momento estratégico, enquanto o Grupo Bandeirantes se preparam para realizar os primeiros debates das eleições de 2026.

Os autores ressaltaram que o debate representa o momento de maior vulnerabilidade para um político. Segundo a análise de Rodrigo Mendes, o encontro pode decidir uma eleição dependendo do contexto político, pois é um período de risco em que o candidato está exposto e não possui locais de amparo.

Ele destaca que o político fica isolado sob a pressão de adversários e jornalistas, sendo obrigado a responder questões complexas e, muitas vezes, de caráter pessoal.

O contato direto com o eleitor

Para Leonardo Lamounier, o diferencial do debate é a transparência. Ele avalia que este é o primeiro contato direto do eleitor com o candidato, "ao vivo e a cores", sem interrupções, cortes ou a interferência de marqueteiros e teleprompter. Na visão do autor, a primeira impressão causada nesse momento de exposição máxima é um fator determinante para o desempenho nas urnas.

O livro também traz depoimentos de quem ajudou a construir essa história na televisão brasileira. O jornalista Fernando Mitre, que lançou anteriormente a obra "Debate na Veia - democracia no centro do jogo", participou da discussão e compartilhou suas experiências acumuladas desde 1989, quando foi organizado o primeiro debate entre presidenciáveis após a redemocratização.

A preparação para os debates de 2026

A tradição da Band em abrir o calendário de discussões eleitorais será mantida neste ano. Os debates para a Presidência da República e para os governos estaduais já possuem datas definidas: 9 e 16 de agosto. Mitre afirma que, em 2026, a cobertura terá o eleitor como personagem central de forma ainda mais dedicada, utilizando ferramentas tecnológicas para aproximar as dúvidas da população dos candidatos.

Para Mitre, não existe uma fórmula mágica para vencer um debate, mas alguns pilares são fundamentais. Ele aponta que o candidato precisa demonstrar confiança como futuro governante, apresentar conteúdos sólidos e manter uma atitude que o telespectador considere adequada ao cargo. O jornalista reforça que o formato permite ao eleitor comparar estilos, ideias e projetos de forma única.

Parceria e inovação tecnológica

A transmissão dos debates deste ano contará com um pool de comunicação, envolvendo o YouTube, a TV Cultura e a TV Gazeta. Rodolfo Schneider, diretor nacional de jornalismo da Band, detalha que a estrutura contará com uma "sala digital" em parceria com o Google, permitindo monitorar em tempo real as principais buscas e anseios dos brasileiros durante o programa.

Os encontros serão transmitidos aos domingos, às 20h. Segundo Schneider, a escolha pelo horário nobre visa garantir que as famílias possam acompanhar as propostas e decidir o voto de forma consciente, analisando o comportamento dos candidatos sob pressão.