Jornal da Band

Lula dá novos sinais de troca no Ministério da Saúde

Saída da ministra da Saúde, Nísia Trindade, é dada como certa; enquanto Gleisi Hoffmann é cotada para a Secretaria-Geral

CAIÃ MESSINA

22/02/2025 • 19:11 • Atualizado em 22/02/2025 • 19:11

O presidente Lula aumentou as expectativas sobre uma reforma ministerial em discurso durante um evento do PT no Rio de Janeiro. Uma das trocas deve acontecer na Saúde.

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Lula chegou à festa de 45 anos do partido já com o desenho dos primeiros movimentos da reforma ministerial, informaram auxiliares. A saída de Nísia Trindade, da Saúde, por exemplo, é dada como certa. Apesar de não ser filiada ao partido, ela foi ao evento, o que foi interpretado como uma maneira de tentar se segurar no cargo.

O presidente Lula tem demonstrado insatisfação com a ministra. O programa "Mais Especialistas", apontado como uma das bandeiras do terceiro mandato, ainda não decolou. Nísia também teria tido uma atuação definida por auxiliares como "tímida" na relação com as prefeituras.

No planalto, a avaliação é que "a saúde tem um potencial político que precisa ser aproveitado": são diversos programas em curso e um orçamento de mais de R$ 230 bilhões, fora que o ministério está presente em todos os municípios do país.

“Eu fiz uma reunião ministerial faz mais ou menos 20 dias e descobri na reunião, que o ministério do meu governo não sabe o que estamos fazendo, não sabe. Se o ministério não sabe, o povo muito menos”, disse Lula em discurso.

O substituto mais cotado para a saúde é Alexandre Padilha. Hoje nas Relações Institucionais, ele tem contato estreito com prefeitos e conhecimento da máquina, porque já comandou a pasta no governo Dilma.

Outros três integrantes do Centrão disputam o lugar de Padilha: Isnaldo Bulhões, do MDB, Antônio Brito, do PSD, e Silvio Costa Filho, do Republicanos, atual ministro de Portos e Aeroportos. Além do senador petista Jaques Wagner.

Lula também já deu sinais de que Gleisi Hoffmann será ministra. A deputada, presidente do PT, deve ficar com a Secretaria-Geral, no lugar de Márcio Macêdo. Gleisi foi elogiada em público pelo presidente no evento, o que reforçou o nome dela na bolsa de apostas.

“Graças a Deus o partido compreendeu a necessidade de te eleger porque se não fosse você, eu não sei se a gente teria um homem capaz de aguentar a barra que você aguentou na frente do PT”, elogiou o presidente.

Lula tem externado duas grandes preocupações aos ministros: a queda na popularidade depois da disparada nos preços dos alimentos e o orçamento deste ano, que ainda não foi aprovado pelo Congresso.

Sem a previsão de gastos e receitas, o governo não pode investir, o que já provocou um impasse: o Tesouro cortou as linhas de crédito do plano safra, o que prejudica os produtores justamente em meio ao plantio. Diante do desgaste, o jeito foi editar uma medida provisória garantindo R$ 4 bilhões para o programa, dentro do limite do arcabouço fiscal.