Novas mensagens obtidas a partir da perícia no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelam que o empresário foi cobrado para realizar repasses financeiros ao Resort Tayayá. Segundo investigadores da Polícia Federal, o material apreendido apresenta indícios de pagamentos que teriam sido revertidos ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que já foi sócio do empreendimento. O relatório de duzentas páginas entregue ao STF aponta que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, possui elementos suficientes para solicitar explicações formais ao magistrado.
A investigação da Polícia Federal foca em diálogos entre Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, identificado pela corporação como o operador financeiro do banqueiro. Em comunicações recuperadas de maio de 2024, Vorcaro questiona Zettel sobre o aporte no fundo do resort, afirmando estar em uma "situação ruim".
No dia seguinte à cobrança, Zettel apresentou uma planilha listando sete pagamentos, incluindo uma linha identificada como "Tayaya - 15", referente a R$ 15 milhões. Diante dos dados, o banqueiro ordenou a quitação imediata dos valores.

Investigação aponta divergências em datas e valores
Os delegados da Polícia Federal interpretam as movimentações como repasses a um fundo controlado por dois irmãos de Dias Toffoli, que detinham cotas do Resort Tayayá.
Em mensagens posteriores, datadas de agosto de 2024, Daniel Vorcaro volta a questionar o destino do dinheiro e demonstra pressão externa para concluir a transação. Em resposta, Fabiano Zettel confirmou que já haviam sido pagos R$ 20 milhões anteriormente, totalizando R$ 35 milhões com o novo aporte de R$ 15 milhões.
As informações fornecidas pelo ministro Dias Toffoli apresentam contradições em relação ao cronograma das mensagens. O ministro afirma que o fundo ligado ao cunhado de Vorcaro adquiriu cotas de participação no resort em setembro de 2021.
No entanto, a perícia confirma que os diálogos sobre os pagamentos ocorreram três anos depois, em 2024. Toffoli, em nota, nega ter recebido qualquer valor de Zettel ou Vorcaro e sustenta não possuir relação com os investigados, embora admita ter sido sócio da empresa Maridt, integrante do grupo Tayayá, ao lado de seus irmãos.
Repercussão no STF e no Congresso Nacional
O desdobramento do inquérito depende agora do ministro André Mendonça, novo relator do caso no STF. Ele aguarda a entrega de um relatório complementar da Polícia Federal, previsto para a próxima semana, que deve listar todos os nomes citados com prerrogativa de foro privilegiado. A partir deste documento, o relator decidirá os próximos passos da investigação criminal.
Parlamentares planejam votar, no próximo dia 25, um requerimento na CPI do Crime Organizado para a quebra dos sigilos bancário e fiscal da empresa Maridt. O objetivo é cruzar os dados financeiros da firma de Toffoli com os fluxos de caixa descritos nas planilhas de Fabiano Zettel.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber
