Jornal da Band

Por que mensalidades de escolas devem subir 10% em 2026? Entenda

Pesquisa aponta que o aumento médio projetado de 9,8% supera a inflação oficial estimada de 4,83%, apertando o planejamento financeiro das famílias

Da redação
DA REDAÇÃO

30/09/2025 • 20:19 • Atualizado em 30/09/2025 • 20:19

O valor médio das mensalidades de escolas particulares no Brasil deve ser reajustado em 9,8% no ano letivo de 2026, conforme levantamento realizado pelo Grupo Rabbit com mais de 300 instituições de ensino. O aumento projetado é mais que o dobro da inflação oficial estimada para este ano, que é de 4,83%.

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Esse índice mantém uma tendência de alta observada nos últimos anos. Em 2025, o aumento médio das mensalidades foi de 9,5%, com a inflação oficial do país fechando em 4,8%. Em 2024, a alta média nas mensalidades foi de 9,3%.

Custos operacionais e estratégias das escolas

A Federação das Escolas Particulares (FEP) explica que o reajuste das mensalidades não é baseado em índices de inflação, mas sim nos custos efetivos de cada escola. Esses custos incluem itens como o aumento do salário dos professores, investimentos pedagógicos, material didático, impostos e aluguel.

Apesar dos reajustes, o setor enfrenta o desafio de margens de lucro cada vez menores, segundo o levantamento do Grupo Rabbit. Em 2025, a lucratividade média foi de 14%, considerada baixa para o setor de serviços. A inadimplência também é uma preocupação, tendo variado entre 4,8% e 5,4% de janeiro a abril.

Mesmo com as pressões financeiras, o segmento escolar mantém planos de investimento. Cerca de 70,5% das instituições planejam investir em atividades complementares, como programas bilíngues e projetos socioemocionais. Além disso, 52% das escolas planejam investir em melhoria da infraestrutura. O comunicado sobre o reajuste das mensalidades deve ser enviado aos pais e responsáveis a partir de outubro, com prazo legal para ser informado até 45 dias antes do fim do prazo de matrícula.

Impacto nas famílias e dicas para negociação

Segundo a economista Wendy Carraro, a educação e a saúde são gastos prioritários para a maioria das famílias. Para conseguir absorver o reajuste das mensalidades, a orientação é buscar compensação: "Ou eu vou ter que tirar de algum gasto, algum custo, ou eu vou ter que olhar para minha receita e vou ter que aprimorar minha receita, fazer uma renda extra", explica a economista. Ela ressalta que o aumento dos gastos muitas vezes não acompanha a mesma proporção da receita familiar.

Especialistas lembram que os pais e responsáveis têm o direito de solicitar à escola o acesso à planilha de custos da instituição. Esse documento permite verificar se o reajuste proposto se justifica, oferecendo base para negociações.