Jornal da Band

Ministros sugerem envio de investigação do Banco Master para 1ª instância

Dias Toffoli resiste a deixar relatoria após revelações de laços familiares e societários com empresários ligados ao banco e resort de luxo no Paraná

CAIÃ MESSINA

22/01/2026 • 20:21 • Atualizado em 22/01/2026 • 20:21

Resumo

Impasse interno no Supremo Tribunal Federal envolve investigação sobre o Banco Master, com parte dos ministros defendendo envio do inquérito à Justiça Federal e proposta de saída para aliviar pressão sobre o relator Dias Toffoli.

Delegados da Polícia Federal afirmam ausência de motivos para manter o caso no STF, destacando papel reduzido do deputado João Carlos Bacelar nas apurações e foco deslocado para outros personagens.

Investigações revelam ligações societárias entre familiares de Dias Toffoli e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master; pedido de suspeição foi arquivado pelo Procuradoria-Geral da República (PGR).

O Supremo Tribunal Federal (STF) vive um impasse interno sobre a condução das investigações envolvendo o Banco Master. Uma ala da Corte, liderada por consultas informais do ministro Edson Fachin, defende o envio do inquérito para a primeira instância da Justiça Federal em São Paulo ou Brasília. A medida é vista como uma estratégia para reduzir a pressão sobre o tribunal e oferecer uma "saída honrosa" ao relator do caso, ministro Dias Toffoli.

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Delegados da Polícia Federal reforçam a tese de que não há elementos jurídicos que justifiquem a manutenção do processo no STF. Segundo a corporação, as menções ao deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA), que detém foro privilegiado, são consideradas "mínimas" e o parlamentar não é mais o foco central das apurações.

Conexões familiares e o resort Tayaya

A controvérsia em torno de Dias Toffoli ganhou força com a revelação de uma complexa teia de ligações entre familiares do ministro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O ponto central da investigação é um resort de luxo no interior do Paraná, o Tayaya.

A estrutura societária apurada indica que:

  • Daniel Vorcaro possui ligações empresariais com Fabiano Zéttel, dono do fundo Leal.
  • O fundo Leal transferia recursos para o fundo Arleen, que investia na empresa DGEP.
  • A DGEP foi criada por Mario Degani, primo de Dias Toffoli, e adquiriu participações na administradora do resort Tayaya.
  • A empresa Maridt, controlada pelos irmãos do ministro, José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, comprou mais de R$ 6,5 milhões em cotas do empreendimento.

Em depoimento ao jornal O Estado de S. Paulo, Cassia Pires Toffoli, cunhada do ministro e residente no imóvel apontado pela Junta Comercial como sede da Maridt, negou conhecimento sobre a empresa, relatando dificuldades financeiras pessoais que contrastam com o volume dos investimentos citados.

Viagens e resistência na relatoria

Além das questões societárias, vídeos divulgados pelo portal Metrópoles mostram o ministro no resort Tayaya recebendo empresários. Outro ponto de questionamento é uma viagem realizada por Toffoli em um jato particular do empresário Luis Pastore para assistir à final da Libertadores no Peru, acompanhado de Augusto de Arruda Botelho, advogado de um dos diretores do Banco Master.

Apesar das críticas, o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, arquivou um pedido da oposição que buscava declarar o impedimento e a suspeição do ministro..