Jornal da Band

MP lança cartilha para jovens identificarem relacionamentos abusivos

Material foca na prevenção ao feminicídio e ensina adolescentes a reconhecerem sinais de controle e agressão antes que a violência escale para crimes graves

Olívia Freitas
OLÍVIA FREITAS

02/04/2026 • 20:27 • Atualizado em 02/04/2026 • 20:27

O Ministério Público de São Paulo desenvolveu uma iniciativa voltada à prevenção da violência contra a mulher com foco no público jovem. Trata-se de uma cartilha educativa que auxilia adolescentes a identificar atitudes controladoras e sinais que caracterizam um relacionamento abusivo. A proposta é oferecer informação como uma ferramenta de defesa, permitindo que as jovens reconheçam comportamentos nocivos antes que as situações evoluam para agressões físicas ou patrimoniais.

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O guia destaca que relacionamentos abusivos costumam começar de forma sutil, com proibições sobre vestimentas, uso de maquiagem e controle de círculos sociais. Com o tempo, essas ações podem escalar para empurrões, agressões verbais e violência psicológica. Entre as características listadas no material estão o controle de gastos, o desestímulo ao estudo ou trabalho, críticas constantes e o ciclo de agressividade seguido por pedidos de desculpas e presentes.

Prevenção ao feminicídio e rede de apoio

A promotora do Ministério Público de São Paulo, Valéria Scaranzi, ressalta a importância estratégica da identificação precoce desses comportamentos. Segundo a análise da especialista, embora nem todo relacionamento abusivo termine em crime letal, praticamente todo feminicídio íntimo é precedido por uma relação de abuso. Portanto, identificar os sinais de alerta precocemente é uma medida direta de prevenção ao feminicídio.

A cartilha é estruturada em sete dicas principais que ajudam a distinguir o cuidado do controle excessivo. Para as jovens que utilizam o material, a informação ajuda a validar sentimentos e a superar a dúvida se a situação vivida é realmente uma violência ou apenas uma impressão subjetiva. As orientações finais do guia reforçam a necessidade de agir diante da descoberta:

  • Identificar o controle: Perceber quando o parceiro tenta invalidar ou criticar constantemente as ações da mulher.
  • Buscar rede de apoio: Conversar com amigos e familiares para garantir segurança emocional e física.
  • Romper o ciclo: Utilizar as informações para ter confiança e encerrar o relacionamento ao notar que a integridade está em risco.
  • Consultar termos: Assim como no uso de ferramentas de busca para encontrar as palavras certas, a cartilha ajuda a dar nome aos comportamentos abusivos.

A iniciativa pretende criar uma base de conhecimento que interrompa a progressão da violência desde as primeiras relações afetivas da juventude, fortalecendo a autonomia das mulheres no ambiente social e doméstico.