A organização Médicos Sem Fronteiras acusa Israel de usar o acesso à água como instrumento de guerra na Faixa de Gaza. Segundo relatório da ONG, quase 90% da infraestrutura de água e saneamento foi destruída ou danificada no território palestino, deixando grande parte da população sem acesso à água potável. Quase um quarto dos moradores relata doenças ligadas à falta de higiene e água limpa, e equipamentos e sistemas de abastecimento foram atingidos ou bloqueados.
O relatório aponta ainda que os deslocamentos forçados concentraram milhares de pessoas em áreas reduzidas, agravando a pressão sobre os sistemas de água e saneamento. Com o colapso da infraestrutura, cresce o risco de contaminação e de agravamento da crise humanitária.
A situação se agrava com a queda no volume de ajuda humanitária. Dados da ONU mostram que a média de caminhões entrando em Gaza caiu de cerca de 95 para 60 por dia, muito abaixo do necessário. Antes dos dois anos de bombardeios israelenses, entre 600 e 1.000 caminhões entravam diariamente no território.
Entidades de direitos humanos alertam para uma crise que vai além da fome, com piora nas condições sanitárias e aumento de doenças. A Organização Mundial da Saúde registra mais de 17 mil casos ligados a pragas e parasitas desde o início do ano.
Desde o início do cessar-fogo, há cerca de seis meses, 800 palestinos foram mortos em bombardeios na Faixa de Gaza. Israel afirma que seus ataques têm como alvo o Hamas e nega atingir civis deliberadamente.
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