A agente literária Claudia Wuttke acusou o ex-marido de cometer abusos sexuais contra ela durante anos na Alemanha. De acordo com o relato da vítima, os crimes ocorriam enquanto ela permanecia dopada com o uso de remédios.
A escritora descobriu a existência das agressões por meio de uma investigação da polícia, no ano passado, após ter acesso a gravações que mostravam os atos sexuais praticados enquanto ela estava desacordada.
"Ninguém poderia saber desses crimes. Nem eu, porque eu não estava consciente. Eu nem sequer teria sido capaz de denunciá-los", afirmou Claudia Wuttke em depoimento.
Prescrição e dificuldades de prova na legislação alemã
Os episódios de abuso sexual aconteceram há 16 anos e correm o risco de ficar sem punição judicial devido a regras do Código Penal na Alemanha. No país, o prazo regulamentar de prescrição para o crime de estupro é de cinco anos. Esse período de tempo pode ser prolongado pelas autoridades do Judiciário apenas diante da constatação de agravantes legais.
A agente literária declarou que não possui dúvidas sobre ter sido dopada para a realização dos abusos sexuais. No entanto, por causa do tempo decorrido desde as agressões, a defesa da escritora enfrenta dificuldades materiais e não consegue produzir provas técnicas do uso dos medicamentos no organismo da vítima.
Paralelo com o caso Pelicot e luta por reforma jurídica
A situação de Claudia Wuttke gerou comparações diretas com o caso da francesa Gisèle Pelicot. Pelicot foi drogada e abusada ao longo de uma década pelo próprio marido, que também convidava outros homens para participar dos atos. O episódio na França ganhou repercussão internacional e transformou a francesa em um símbolo global na luta contra a violência sexual.
Apesar de os abusos contra a francesa terem ocorrido há 15 anos, o processo judicial na França terminou com a condenação de 51 homens. A Justiça francesa aplicou penas que variaram de três a 20 anos de prisão para os envolvidos nos crimes.
Diante do cenário de impunidade provocado pela legislação local, Claudia Wuttke iniciou um movimento para pressionar o parlamento por mudanças na lei da Alemanha. A agente literária busca o apoio de organizações de direitos humanos para reescrever os artigos que tratam de crimes sexuais no país.
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