Jornal da Band

Mulheres recorrem a buscas virtuais e antecedentes para checar parceiros

Grupos e sites pagos ajudam a identificar históricos de agressão e violência doméstica antes do início de relacionamentos

Olívia Freitas
OLÍVIA FREITAS

02/08/2026 • 07:00 • Atualizado em 02/08/2026 • 07:00

Cresceu o número de mulheres que buscam informações sobre o histórico criminal e processos na Justiça de novos parceiros antes de iniciar um relacionamento. A prática tem se consolidado como uma estratégia de segurança em um cenário no qual as relações começam frequentemente na internet, por meio de aplicativos de namoro.

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Para evitar riscos, muitas mulheres adotam o cuidado de pesquisar dados que não aparecem em perfis de redes sociais. Em grupos virtuais, que chegam a reunir cerca de 20 mil participantes, a troca de informações é constante. Nesses espaços, cada novo caso de feminicídio noticiado funciona como um alerta para a necessidade de prevenção.

Plataformas pagas também passaram a oferecer serviços focados na verificação de antecedentes. A pesquisa em sites especializados checa se o indivíduo possui registros de violência doméstica, além de pendências e processos tramitando no Judiciário.

Limitações das buscas e sinais de alerta

Apesar do aumento do uso dessas ferramentas, a ausência de registros nas pesquisas públicas não garante a inexistência de investigações ou denúncias. Processos que correm em segredo de Justiça, por exemplo, não ficam visíveis em buscas convencionais.

Além disso, crimes como perseguição e injúria dependem da representação formal da vítima para se tornarem inquéritos policiais, o que nem sempre ocorre. Por isso, especialistas apontam que a verificação de antecedentes virtuais deve ser acompanhada pela atenção constante a outros sinais de comportamento no dia a dia.

A Band Não Se Cala

O Grupo Bandeirantes lançou a campanha "Band Não Se Cala" para reforçar a conscientização e o incentivo às denúncias de agressões, estupros e feminicídios em todo o Brasil. A mobilização pretende engajar a sociedade no acolhimento às vítimas e no enfrentamento da impunidade.

A cada 30 segundos, uma mulher aciona a Polícia Militar para pedir socorro no País. Além disso, as estatísticas indicam o registro de um estupro a cada 6 minutos e um feminicídio a cada 6 horas no Brasil. O quadro expõe uma rotina marcada pelo medo, pela solidão e pelo silêncio das vítimas.