Jornal da Band

Negociações entre EUA e Irã voltam ao impasse sobre programa nuclear

Enquanto Washington diz não ter pressa, Teerã nega ter concordado em entregar estoques; delegações se reúnem no Catar para tentar avançar nas tratativas

PEDRO PAIVA

25/05/2026 • 20:10 • Atualizado em 25/05/2026 • 20:49

As negociações entre Estados Unidos e Irã pelo fim do conflito voltaram ao impasse nesta segunda-feira (25). O governo americano afirmou não ter pressa em fechar um acordo, enquanto Teerã negou ter concordado em entregar seus estoques de urânio enriquecido.

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O pano de fundo das tratativas foi o Memorial Day. Debaixo de chuva, o presidente Donald Trump participou da tradicional cerimônia no Cemitério de Arlington, nos arredores de Washington, em homenagem aos militares americanos mortos em combate.

O americano lembrou dos 13 soldados que perderam a vida este ano no conflito contra os iranianos. Segundo o presidente, eles "deram a vida para que o maior financiador do terrorismo não tivesse acesso a uma arma nuclear". Trump reafirmou que o Irã não terá uma bomba atômica.

Versões conflitantes

O fim de semana foi marcado por informações contraditórias sobre o andamento das negociações. Um oficial americano afirmou no domingo que o regime islâmico teria aceitado entregar o urânio enriquecido do país. A declaração foi rebatida nesta segunda pelo porta-voz do governo iraniano, Esmail Baghaei, que reconheceu avanços em "muitos tópicos", mas foi categórico: questões relacionadas ao combustível nuclear não estão na pauta das negociações.

Em visita à Índia, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, reforçou a posição americana. Segundo ele, Trump não está com pressa e só assinará um acordo quando os termos agradarem a Casa Branca.

Com as divergências em aberto, representantes do governo iraniano desembarcaram no Catar para aprofundar as negociações sobre os dois principais pontos de bloqueio: o programa nuclear islâmico e o futuro do Estreito de Ormuz.

O Irã concordou em reabrir a rota marítima, fechada desde o início do conflito há quase três meses, mas quer manter o controle sobre a passagem dos navios e cobrar pedágio das embarcações. Antes do conflito, cerca de 140 cargueiros cruzavam o estreito por dia. Hoje, mais de 1.500 navios permanecem parados no Golfo Pérsico.