Jornal da Band

Air France e Airbus enfrentam novo julgamento em Paris por tragédia

Dezesseis anos após acidente que matou 228 pessoas, empresas voltam ao banco dos réus acusadas de falhas técnicas e de treinamento

Sonia Blota
SONIA BLOTA

29/09/2025 • 20:41 • Atualizado em 29/09/2025 • 20:41

Dezesseis anos depois do acidente com o voo AF447, da Air France, que caiu no oceano Atlântico durante a rota Rio de Janeiro–Paris, a companhia aérea e a fabricante Airbus voltam a ser julgadas em Paris. A tragédia, ocorrida em 31 de maio de 2009, matou 228 pessoas de 33 nacionalidades, incluindo 58 brasileiros, e permanece como o maior desastre da história da aviação francesa.

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As investigações concluíram que sensores de velocidade do Airbus A330 congelaram três horas após a decolagem, provocando falhas técnicas em cadeia. Os pilotos não conseguiram reagir à pane, e o avião perdeu contato com a torre de controle antes de cair no Atlântico.

Empresas acusadas de falhas em segurança e treinamento

Em 2023, tanto a Airbus quanto a Air France foram absolvidas da acusação de homicídio culposo, apesar de os juízes terem reconhecido falhas de ambas as companhias. A Procuradoria francesa recorreu da decisão, o que levou à abertura do novo julgamento, previsto para durar dois meses.

A acusação sustenta que a Airbus sabia dos riscos de defeito nos sensores, mas não os substituiu nem alertou a companhia aérea. Já a Air France é acusada de não ter treinado adequadamente os pilotos para enfrentar esse tipo de falha em voo. As duas empresas negam responsabilidade pela queda.

Caso sejam condenadas, as empresas podem pagar multa de até 1,5 milhão de reais cada. O valor é considerado simbólico, já que as famílias das vítimas já foram indenizadas financeiramente. Para elas, o principal objetivo é o reconhecimento da responsabilidade criminal.

O advogado Alain Jacubowicz, que representa parte dos familiares, criticou a postura das companhias. “Os representantes das empresas dizem que entendem o que aconteceu, que estão arrependidos, mas que não são os responsáveis. Para eles é como se essa tragédia tivesse sido apenas um caso de má sorte”, afirmou.

O julgamento deve se estender até o fim do ano, e a expectativa é de que a decisão traga uma resposta definitiva às famílias sobre a responsabilidade pelo acidente.

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