Jornal da Band

Número de brasileiros que moram sozinhos dobra e supera 15 milhões

Dados do IBGE revelam que uma a cada cinco residências no país tem apenas um morador; homens entre 30 e 59 anos lideram a estatística de domicílios unipessoais

EDUARDO CARVALHO

18/04/2026 • 22:40 • Atualizado em 18/04/2026 • 22:40

O perfil das residências brasileiras passou por uma transformação profunda na última década. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do IBGE, o número de pessoas que moram sozinhas no Brasil mais que dobrou em 13 anos. Em 2012, o país registrava 7,5 milhões de domicílios com apenas um morador; no ano passado, esse número saltou para mais de 15 milhões.

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Atualmente, 19,5% das residências no país — o equivalente a uma a cada cinco — são ocupadas por apenas uma pessoa. O fenômeno reflete mudanças socioculturais e econômicas, apresentando perfis distintos entre homens e mulheres. O repórter Eduardo Carvalho detalha que, enquanto a maioria dos homens que vivem sós está na faixa entre 30 e 59 anos, o cenário feminino é predominante entre as mulheres com mais de 60 anos.

Motivações e perfis demográficos

A análise de William Kratochwill, analista da PNAD Contínua, aponta que o crescimento dos domicílios unipessoais entre os homens está frequentemente atrelado ao mercado de trabalho e ao aumento do número de divórcios. De acordo com Kratochwill, é comum que homens busquem alternativas de emprego fora de suas cidades de origem ou que, após separações, deixem o antigo lar, enquanto as mulheres tendem a permanecer na residência com os filhos.

Já para o público feminino, o ato de morar sozinha está mais relacionado ao ciclo de vida na maturidade. O levantamento indica que muitas mulheres acima dos 60 anos passam a viver sós após ficarem viúvas ou depois que os filhos constituem suas próprias famílias e deixam a casa materna.

Liberdade e adaptação na rotina

Para os brasileiros que optam ou acabam vivendo sós, a autonomia é o principal benefício apontado. Elias Santos, assessor de imprensa que anteriormente dividia uma república com 25 pessoas, destaca que a tranquilidade de gerir as tarefas domésticas e realizar as atividades do próprio jeito compensa a ausência de companhia.

O sentimento é compartilhado pela aposentada Tatiana Haubert, que mora sozinha há mais de uma década, desde que o filho se mudou para trabalhar no exterior. Ela ressalta a liberdade de desfrutar de momentos de lazer, como ler livros e ouvir música, sem interrupções. A tendência de crescimento desses lares acompanha uma sociedade que, cada vez mais, prioriza a independência individual ou se adapta a novas configurações familiares e profissionais.