Jornal da Band

Número de estrangeiros com carteira assinada triplica no Brasil

Dados do Caged mostram que imigrantes ocuparam mais de 81 mil postos formais em 2025; venezuelanos detêm quase metade das vagas, com foco na indústria

GABRIELA LERINA

06/01/2026 • 20:18 • Atualizado em 06/01/2026 • 20:18

Carteira de trabalho

Carteira de trabalho

Pedro Ventura / Agência Brasil

O mercado de trabalho brasileiro registrou um salto significativo na contratação de mão de obra estrangeira nos últimos cinco anos. Entre 2020 e 2025, o número de imigrantes empregados com carteira assinada no país cresceu 228%, o que representa mais que o triplo do registrado no início do período. O ano de 2025 encerrou com 81.458 vagas formais ocupadas por trabalhadores vindos de outros países.

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Os venezuelanos, que deixaram o país vizinho em função da crise política e econômica, são os protagonistas desse movimento. Eles conquistaram 47,2% do total de vagas destinadas a estrangeiros no último ano. Embora atuem fortemente no comércio e no setor de serviços, a indústria é o principal destino dessa mão de obra.

Perfil e adaptação no Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul se consolidou como um dos estados que mais contratam imigrantes no Brasil. Nos últimos dois anos, o estado registrou um crescimento de 84% na contratação de venezuelanos. Segundo a análise de José Scorsatto, diretor-presidente da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS), a escolha pela indústria ocorre, muitas vezes, pela facilidade de adaptação.

Em um primeiro momento, o setor industrial permite que o trabalhador se habitue aos costumes e à língua antes de partir para segmentos que exigem maior interação com o público.

José Scorsatto destaca ainda que o trabalhador venezuelano possui características valorizadas pelo mercado:

  • Adaptação rápida ao ambiente de trabalho.
  • Cumprimento rigoroso da jornada laboral.
  • Mão de obra qualificada para os setores que ocupa.
  • Foco na estruturação financeira para possibilitar o reencontro familiar no Brasil.

Reestruturação familiar e estabilidade

A trajetória de Miguel, venezuelano que vive em Porto Alegre há oito anos, ilustra o impacto desse fluxo migratório. Funcionário de um banco privado com carteira assinada, Miguel conseguiu trazer o pai, a mãe e a irmã para o estado gaúcho. Assim como ele, muitos imigrantes utilizam a estabilidade do emprego formal no Brasil como base para reconstruir a vida e atrair outros parentes e amigos que ainda vivem sob o regime de Nicolás Maduro.

A presença crescente de estrangeiros no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) reflete não apenas uma necessidade humanitária, mas uma integração econômica que supre demandas específicas de setores produtivos brasileiros, especialmente na região Sul.

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