Jornal da Band

OMS reage a Trump e nega ligação entre paracetamol e autismo

Após declaração de Donald Trump, OMS e autoridades médicas reforçam que não há evidências científicas de risco do paracetamol na gravidez

Da redação
DA REDAÇÃO

23/09/2025 • 19:42 • Atualizado em 23/09/2025 • 19:42

Donald Trump fez afirmações falsas sobre medicamentos

Donald Trump fez afirmações falsas sobre medicamentos

REUTERS/Evelyn Hockstein

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e autoridades médicas internacionais rejeitam a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que associou o uso de paracetamol na gravidez ao aumento de casos de autismo.

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A entidade afirma que não existe base científica para essa relação e que o medicamento segue sendo considerado seguro quando utilizado sob orientação médica.

O paracetamol, em uso desde a década de 1950 para o tratamento de dores e febres, é um dos analgésicos mais prescritos no mundo, inclusive para gestantes.

Segundo o pediatra infectologista Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, a eficácia e a segurança da medicação já estão comprovadas, desde que usada de forma adequada.

Repercussão internacional

A fala de Trump ocorreu na segunda-feira, ao lado do secretário de Saúde, Robert Kennedy Jr., sem apresentação de evidências científicas. A declaração levou a uma resposta imediata de órgãos reguladores.

A Food and Drug Administration (FDA), agência de saúde dos Estados Unidos, afirmou que não há comprovação de ligação entre o paracetamol e o autismo. Ainda assim, informou que iniciou um processo para alterar a bula do medicamento e enviou um alerta aos médicos americanos.

Na Europa, agências regulatórias da União Europeia e do Reino Unido também contestaram a afirmação. A OMS reforçou que não há estudos que sustentem a associação e destacou que as recomendações de uso do medicamento em gestantes permanecem inalteradas.

Médicos ouvidos pelo Jornal da Band afirmam que o paracetamol continua sendo o analgésico mais indicado durante a gravidez. Romulo Negrini, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Assistência ao Abortamento, Parto e Puerpério da Federação Brasileira das Associações em Ginecologia e Obstetrícia, destaca que outras opções, como a dipirona, dependem de avaliação profissional, enquanto o ibuprofeno não é recomendado para gestantes.

Com a polêmica, autoridades de saúde reforçam que a automedicação deve ser evitada, especialmente durante a gravidez, e que o paracetamol só deve ser usado sob prescrição médica. O medicamento permanece como o analgésico de referência para gestantes, sem evidências que sustentem os riscos levantados por Trump.