Jornal da Band

Operação contra roubo de cargas prende nove pessoas no Rio de Janeiro

Complexo de Manguinhos era usado pelo Comando Vermelho como base para transbordo de mercadorias roubadas em vias expressas; trens pararam por três horas

MARIENE LINO

29/01/2026 • 19:48 • Atualizado em 29/01/2026 • 19:48

Polícia do Rio de Janeiro

Polícia do Rio de Janeiro

Reprodução/Agência Brasil

Uma operação da Polícia Civil contra o roubo de cargas resultou na prisão de nove pessoas no Rio de Janeiro nesta quinta-feira. A ação gerou um intenso confronto armado no Complexo de Manguinhos, na Zona Norte, o que forçou a interrupção da circulação de trens por quase três horas.

Compartilhar

As investigações revelam que o Comando Vermelho transformou o conjunto de favelas em uma base estratégica para o crime organizado. Ironicamente localizadas próximas à Cidade da Polícia — centro que concentra as delegacias especializadas do estado —, as comunidades serviam como destino final para caminhões abordados em importantes eixos viários, como a Avenida Brasil e a Rodovia Washington Luiz. Sob ameaça, motoristas eram obrigados a conduzir os veículos até o interior de Manguinhos para o descarregamento dos produtos.

Esquema de revenda e apreensão de medicamentos

O foco principal dos criminosos era o roubo de óleos lubrificantes para motores, mercadoria com alta facilidade de revenda no mercado clandestino. Contudo, a polícia também identificou o comércio ilegal de outros itens de alto valor.

Durante as diligências no complexo, uma mulher foi detida em posse de diversas caixas de canetas emagrecedoras, medicamento de venda controlada que estava entre as cargas desviadas.

Investigação mira funcionários de transportadoras

A Polícia Civil já planeja uma segunda fase da operação com o objetivo de desarticular a rede de informantes dentro de empresas de logística. Há suspeitas de que funcionários de transportadoras colaborem com o tráfico de drogas, fornecendo dados privilegiados em troca de comissões financeiras.

Entre as informações repassadas estariam os trajetos detalhados dos caminhões e o conteúdo das notas fiscais, o que permitia aos criminosos selecionar alvos mais lucrativos. O inquérito busca identificar quem são esses colaboradores que facilitam as abordagens nas vias expressas.

Tópicos relacionados