
INSS
Foto: Agência Brasil
Uma operação na Paraíba descobriu que entidades de fachada moviam ações coletivas em nome dos aposentados e embolsavam o dinheiro das decisões judiciais. Advogados e um servidor da Justiça estadual são investigados.
O Ministério Público da Paraíba acredita que mais de 100 mil pessoas foram roubadas no esquema de fraude e que o prejuízo passa dos R$ 120 milhões.
Assim como o escândalo revelado pela Polícia Federal há três semanas, a operação na Paraíba também tem como alvos associações suspeitas de roubar o dinheiro dos aposentados por meio de descontos criminosos.
A investigação aponta que a quadrilha era formada por advogados e um servidor da justiça paraibana. E que, no esquema, as associações entravam na justiça com ações coletivas em nome dos aposentados que não tinham qualquer ligação com elas.
Ainda de acordo com o MP, a quadrilha controlava as comarcas e conseguia vantagens financeiras em decisões judiciais que saiam em tempo recorde.
PT rachado com possível CPI
O escândalo do INSS fez o presidente Lula convocar ministros para discutir a estratégia do governo sobre o pedido de CPI no congresso.
O PT está rachado. Senadores do partido querem direcionar as investigações para responsabilizar o governo Bolsonaro. Já a maioria dos deputados petistas acredita que a CPI pode desgastar ainda mais a popularidade do presidente.
Antes da reunião com Lula, a ministra da Articulação Política, Gleisi Hoffmann, se encontrou com o presidente do Senado. Ela argumentou que a CPI pode atrapalhar as investigações da Polícia Federal e atrasar o ressarcimento das vítimas. Davi Alcolumbre disse que pode, no máximo, adiar, mas não tem como impedir a abertura da comissão de inquérito.
O ministro da Secretaria de Comunicação, Sidonio Palmeira, também esteve na reunião e alertou que não pega bem ser contra uma investigação que apura fraudes contra os aposentados. Ele sugeriu que o governo mude de postura. Em vez de tentar boicotar, brigar por postos de comando: a presidência ou a relatoria da CPMI.
Fragilidades no sistema
As fragilidades encontradas no decorrer do tempo devem ser tema da CPI, como os sete dispositivos ilegais encontrados há um ano e que eram usados para roubar dados de computadores da sede do INSS, inclusive no andar da presidência. Os equipamentos, conhecidos como "chupa-cabras", estavam conectados à rede do órgão. Na época, o INSS disse que não foram vazadas informações de beneficiários.
Antes da descoberta dos equipamentos, servidores do INSS apontaram falhas em sistemas do órgão, que são gerenciados pela Dataprev, que opera também o banco de dados da Receita. A empresa é pública, não tem dinheiro para investimentos e foi excluída pelo o governo Lula do programa de privatização.
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