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Pais acusam creche de dopar crianças com remédios no RS

Os responsáveis pelas crianças relatam uso de clonazepam e melatonina sem autorização; defesa nega as acusações

Da redação
DA REDAÇÃO

17/12/2025 • 19:41 • Atualizado em 17/12/2025 • 19:41

Creche

Creche

Reprodução/Jornal da Band

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul abriu inquérito para investigar uma escola de educação infantil particular em Alvorada, na Região Metropolitana de Porto Alegre, por suspeita de maus-tratos e administração não autorizada de medicamentos aos alunos.

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A unidade, identificada como Escola de Educação Infantil Rafa Kids, foi interditada pela Vigilância Sanitária nesta terça-feira (16). A fiscalização apontou falta de estrutura adequada para o atendimento às crianças e a ausência de alvará de saúde necessário para o funcionamento.

Segundo informações apuradas pela repórter Gabriela Lerina, do Jornal da Band, a investigação policial concentra-se na denúncia de que funcionários da creche estariam dopando as crianças para que elas dormissem.

Os investigadores suspeitam do uso de substâncias como clonazepam, um tranquilizante tarja preta, e melatonina, hormônio utilizado para regular o sono. O delegado responsável pelo caso confirmou que, desde o início da semana, as crianças foram encaminhadas ao Instituto-Geral de Perícias (IGP) para a realização de exames toxicológicos.

Mensagens e vídeos reforçam suspeitas

O inquérito policial foi motivado, em parte, pelo acesso a capturas de tela de conversas em aplicativos de mensagens entre a proprietária e funcionárias da escola. O conteúdo sugere o controle químico dos alunos.

Em um dos trechos divulgados, a proprietária questiona se "alguém já dormiu". Uma funcionária responde: "Das que tomaram o remédio não, mas estão calmos". Em outra mensagem, uma professora reclama da ineficácia da dose: "Meu Deus, dois remédios e a menina não dormiu".

Além das conversas, vídeos gravados no interior da instituição mostram condições precárias de higiene e alimentação. As imagens revelam várias crianças dividindo água e comida de um único recipiente.

Victoria Camargo, mãe de um aluno de três anos, identificou o filho nas imagens. "Era um potinho pequeno para umas oito crianças. O meu filho aparece naquele vídeo esperando a próxima colherada ser dele", relatou.

Relatos de mudança de comportamento

As famílias relatam mudanças bruscas no comportamento das crianças em casa. Victoria conta que o filho apresentava sinais contraditórios ao retornar da escola.

"A gente notava que ele vinha sonolento. Chegava em casa e ficava agitado, só que ao mesmo tempo estava num agito de cansaço, de sono, querendo dormir", descreveu a mãe.

Outra mãe, que preferiu não se identificar, relatou que a filha passou a demonstrar agressividade e reproduzia, durante as brincadeiras, situações que supostamente vivenciava na creche.

"Às vezes ela se atirava, gritava muito com as bonecas dizendo 'não pode comer, tu tem que dormir agora', reproduzindo o que acontecia na escola", afirmou. Em um dos vídeos anexados à denúncia, é possível ouvir uma criança chorando e uma funcionária ordenando de forma ríspida: "Vamos parar com esse choro".

Histórico e posicionamento da defesa

Além da Polícia Civil, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) também acompanha o caso e investiga as denúncias.

Informações preliminares indicam que a escola não contava com nutricionista ou responsável técnico e já havia sido interditada anteriormente, em novembro de 2024, por problemas similares, tendo reaberto meses depois.

A defesa da escola nega todas as acusações. Em declaração à reportagem, o advogado da instituição classificou as denúncias como falsas e afirmou que a inocência da proprietária será provada.

"Não procedem essas informações. Cabe à polícia investigar se são verdades ou mentiras. Consequentemente, se não for verdade ou se tentaram montar alguma coisa, as pessoas devem pagar também, porque estamos falando da reputação de uma empresa e de uma profissional com larga experiência no mercado", declarou a defesa.

A investigação segue em andamento, aguardando os laudos periciais das crianças para confirmar a presença de substâncias sedativas no organismo dos alunos.