Jornal da Band

Perfis de fofoca movimentam milhões em meio à falta de regras contra fake news

No caso mais recente, a página “Choquei” divulgou notícia falso sobre a estudante Jéssica Canedo, que chegou a tirar a própria vida

Da redação
DA REDAÇÃO

23/01/2024 • 20:29 • Atualizado em 23/01/2024 • 20:29

Choquei divulgou notícia falsa sobre estudante que se matou

Choquei divulgou notícia falsa sobre estudante que se matou

Reprodução/Instagram

A fofoca é um dos produtos mais rentáveis nas redes sociais. Gera curtidas e milhões de seguidores para contas que faturam em cima de supostas notícias. O problema é que muitos perfis deixam o jornalismo profissional de lado e investem em fake news, um conteúdo impulsionado pelos algoritmos das big techs, e elas também lucram com isso.

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Uma notícia falsa divulgada por uma das páginas mais famosas, a “Choquei”, pode ter contribuído para a morte da jovem Jéssica Canedo, de 22 anos. A estudante tirou a própria vida em dezembro, depois da divulgação de uma notícia falsa com o nome dela. A Polícia Civil de Minas Gerais investiga o caso.

A agência Mynd, que tinha a Choquei entre os clientes, passou a ser atacada na internet, mas disse que só atua na venda de espaço publicitário e que não tem relação com o conteúdo editorial.

Os influenciadores são os únicos responsáveis pelo conteúdo do que postam na internet? Qual o papel das agências de publicidade no material difundido por eles?

“Tem que considerar o que pode trazer de ruim nessa relação. Porque, de fato, não só em relação a fake news, acabam espirrando na marca que contrata como na empresa que agencia essas pessoas”, defendeu Rafaella Lotto, consultora em marketing de influência.

As páginas de fofocas impactam o mercado publicitário digital. A Mynd, que agencia diversas dessas páginas, por exemplo, tem faturamento anual de R$ 350 milhões. Especialistas defendem uma regulação do setor.

“A gente não tem ainda uma legislação moderna de publicidade no Brasil, pós-digital que ataque esses problemas no detalhe. As agencias têm ou teriam que ter uma postura ética para orientar agenciados e fazer que o mercado seja regado pela ética profissional”, ponderou Francisco Brito Cruz, especialista em direito digital.