Jornal da Band

Perícia descarta suicídio e militar vira réu por feminicídio no Paraná

Perícia na arma e no corpo afastou a versão de que a vítima teria atirado em si mesma; família relata histórico de agressões

ELLEN SANTOS

24/07/2026 • 20:56 • Atualizado em 24/07/2026 • 20:56

A Justiça do Paraná aceitou a denúncia contra um militar da reserva do Exército acusado de matar a mulher, a escrivã da Polícia Federal Vanessa Marty, de 44 anos, em Cascavel, no interior do estado. Preso desde o crime, ele se tornou réu por feminicídio depois que a perícia descartou a hipótese de suicídio. O caso aconteceu no dia 24 de junho.

Compartilhar

Câmeras de segurança registraram o barulho do disparo e a reação do militar logo em seguida. Momentos depois, ele ligou para o Samu e afirmou que a mulher havia atirado na própria cabeça.

"Cheguei em casa, fui abrir a porta, a Vanessa pegou minha pistola debaixo do banco, deu um tiro aqui na cabeça, já chamei o Samu", disse em uma das ligações. A vítima foi encontrada dentro de um carro no pátio da residência.

As imagens mostram ainda que, minutos depois, uma viatura da Polícia Militar passou duas vezes em frente à casa. Em vez de pedir socorro, o militar apenas observou. Na sequência, ele aparece acenando para o carro dos bombeiros, repetindo a versão de que a mulher teria se ferido sozinha.

A investigação apontou contradições no depoimento do militar, além de tentativa de ocultar provas. Antes da chegada da polícia, ele se lavou, alegando que estava sujo de sangue. A perícia realizada na arma e no corpo da vítima descartou a hipótese de suicídio.

O militar da reserva, de 58 anos, foi preso logo após o crime. Segundo o Ministério Público, há elementos suficientes que apontam para feminicídio. O suspeito nega as acusações, e a defesa criticou a rapidez na conclusão do inquérito. A família da vítima relatou que ele já tinha histórico de agressões contra a esposa.

A Band Não Se Cala

O Grupo Bandeirantes lançou nesta semana a campanha "A Band Não Se Cala" para reforçar a conscientização e o incentivo às denúncias de agressões, estupros e feminicídios em todo o Brasil. A mobilização pretende engajar a sociedade no acolhimento às vítimas e no enfrentamento da impunidade.

A cada 30 segundos, uma mulher aciona a Polícia Militar para pedir socorro no País. Além disso, as estatísticas indicam o registro de um estupro a cada 6 minutos e um feminicídio a cada 6 horas no Brasil. O quadro expõe uma rotina marcada pelo medo, pela solidão e pelo silêncio das vítimas.