Jornal da Band

PF aponta que apartamentos de luxo foram usados como propina no BRB

Investigação da Polícia Federal revela que imóveis em São Paulo e Brasília, avaliados em R$ 150 milhões, foram oferecidos por Daniel Vorcaro ao ex-presidente do banco

CAIÃ MESSINA

16/04/2026 • 20:29 • Atualizado em 16/04/2026 • 20:29

A Polícia Federal identifica indícios de um esquema de corrupção envolvendo o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Segundo as investigações, apartamentos de alto padrão em São Paulo e Brasília eram utilizados como moeda de troca para o pagamento de propinas. Em contrapartida, Paulo Henrique facilitaria operações de interesse de Vorcaro dentro da instituição financeira brasiliense.

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As conversas extraídas dos celulares de Daniel Vorcaro revelam detalhes da negociação dos imóveis, que somam um valor superior a R$ 150 milhões. Entre as propriedades mencionadas estão quatro unidades na capital paulista e duas no Distrito Federal. Em uma das mensagens, o ex-presidente do BRB chega a mencionar cálculos para atingir um valor previamente combinado, citando o empreendimento Casa Lafer.

Imóveis de luxo e o mercado de alto padrão em São Paulo

As negociações incluíam unidades no Edifício Heritage, localizado no Itaim Bibi, bairro nobre da zona sul de São Paulo. O empreendimento é conhecido por ter um dos metros quadrados mais caros da cidade, chegando a R$ 70 mil. As unidades, que podem custar até R$ 40 milhões, possuem vista 360 graus, plantas que superam mil metros quadrados e piscinas privativas dentro dos apartamentos.

Além do Heritage, a lista de imóveis sob suspeita em São Paulo inclui:

  • Condomínio Arborea: Com unidades anunciadas por valores acima de R$ 22 milhões.
  • One Sixty: Empreendimento que reúne apartamentos com preços que variam entre R$ 13 milhões e R$ 45 milhões.

Em Brasília, o esquema envolveria o residencial Ennius Muniz, com apartamentos avaliados em até R$ 5 milhões, e o Valle dos Ipês, na região do Jardim Botânico, onde as unidades alcançam os R$ 10 milhões.

Determinação judicial e crimes investigados

O monitoramento das mensagens aponta que Vorcaro orientava corretores de imóveis para garantir a satisfação de Paulo Henrique Costa durante as visitas aos empreendimentos. Em um dos diálogos, o dono do Banco Master afirma categoricamente a uma profissional a necessidade de manter o então presidente do BRB "feliz" para garantir o andamento dos negócios.

Diante das evidências colhidas, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, decretou a prisão de Paulo Henrique Costa. A decisão fundamenta-se no entendimento de que as condutas analisadas se enquadram nos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Além disso, os envolvidos respondem por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.