Jornal da Band

PF mira núcleo político após prender ex-presidente do INSS por roubo de aposentadorias

Oito suspeitos foram presos na Operação Sem Desconto; Polícia Federal apreende documentos e mira deputado e ex-ministro como alvos da próxima fase

CAIÃ MESSINA

14/11/2025 • 23:21 • Atualizado em 14/11/2025 • 23:21

Um dia após prender oito envolvidos no roubo de aposentadorias do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), incluindo um ex-presidente do instituto, a Polícia Federal (PF) prepara novas fases da "Operação Sem Desconto". O próximo foco da investigação é o núcleo político que, segundo a corporação, ignorou as denúncias de corrupção.

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Agentes da PF apreendem documentos e equipamentos, e os peritos já iniciam a varredura do material . São celulares, computadores e mais de mil páginas de documentos que, para a PF, demonstram a existência de "uma máquina de desviar dinheiro".

O ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, afastado em abril e preso na fase anterior da operação, é apontado pela Polícia Federal como a "figura central" do esquema. Delegados afirmam que ele recebia tanta propina que não conseguia mais lavar o dinheiro.

A solução encontrada pela quadrilha para o alto volume de propina seria a abertura de quatro empresas de fachada. Uma delas, a "Delícia Italiana Pizzas", coincide com o apelido dado a Stefanutto pelo grupo criminoso: "O Italiano".

O Esquema de Propina e o Núcleo Político

Segundo o repórter Caiã Messina, em Brasília, a Polícia Federal suspeita que essas empresas movimentavam a propina paga por apenas uma entidade: a CONAFER (Confederação Nacional de Agricultores Familiares). A Confederação teria recebido cerca de R$ 700 milhões em descontos irregulares do INSS. As investigações ainda apuram quanto outras associações e sindicatos pagaram a Stefanutto.

A fase anterior da Operação Sem Desconto resulta na prisão de oito suspeitos, incluindo gestores e empresários ligados ao INSS, à CONAFER e ao Instituto Terra e Trabalho.

O deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos) é citado pela PF por atuar para "blindar" os suspeitos de investigações. O parlamentar, que terá de usar tornozeleira eletrônica, era chamado de "Herói E" nas planilhas apreendidas. Euclydes era a pessoa mais bem paga na lista de propina, recebendo quase R$ 15 milhões para impedir fiscalizações e garantir a manutenção do convênio entre o INSS e a CONAFER.

O ex-ministro da Previdência do governo Bolsonaro, José Carlos Oliveira, é apontado pela Polícia Federal como o "pilar institucional" da quadrilha e também terá de usar tornozeleira eletrônica. A corporação afirma que ele chega a mandar uma mensagem agradecendo um dos operadores do esquema após receber R$ 100 mil por auxiliar na manutenção do vínculo da CONAFER com o INSS.

Novas ações dentro da Operação Sem Desconto são esperadas nas próximas semanas. Os investigadores já identificaram boa parte do núcleo operacional, responsável pelo pagamento dos subornos e pela lavagem do dinheiro, e agora buscam mais detalhes do núcleo político, que teria feito vista grossa às denúncias de corrupção.

Posição dos Citados

  • A CONAFER afirma, em nota, que está cooperando com as autoridades.
  • O deputado Euclydes Pettersen ressalta que apoia "integralmente o trabalho das autoridades e acredita na Justiça".
  • Alessandro Stefanutto defende que sua prisão foi ilegal e que irá comprovar a inocência.

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