
Central de golpes na Faria Lima tinha idosos como alvo
Reprodução/Band
A Polícia Civil de São Paulo desarticulou, nesta quinta-feira (22), uma central de golpes financeiros que operava em um dos endereços mais caros do país: a Avenida Brigadeiro Faria Lima. A "Operação Título Sombrio", realizada por agentes da DCCiber e do Deic, resultou na prisão de quatro mulheres, com idades entre 27 e 39 anos, que atuavam como gerentes e supervisoras do esquema.
O grupo utilizava o prestígio da localização para conferir legitimidade às abordagens criminosas. Segundo as investigações, a empresa funcionava de forma híbrida: enquanto uma parte das cobranças era legítima, outra ala do escritório era dedicada exclusivamente a aplicar golpes em aposentados e pensionistas.
Estratégia de pressão e falsas ordens judiciais
O esquema criminoso baseava-se na compra ilegal de bancos de dados das vítimas. Com essas informações em mãos, os operadores entravam em contato com os idosos alegando a necessidade de recuperação de "créditos podres" — dívidas antigas ou já vencidas. Na maioria dos casos, as vítimas eram convencidas a pagar por débitos que sequer existiam.
Para aumentar o poder de persuasão, a quadrilha realizava disparos massivos de mensagens de texto que simulavam ordens judiciais e bloqueios iminentes de CPF. Ao entrar em contato com a central para resolver a pendência, o aposentado era atendido por operadores treinados para exercer pressão psicológica, utilizando termos jurídicos e ameaças de penhora de bens e bloqueio de benefícios previdenciários.
No escritório de luxo, trabalhavam mais de cem pessoas. Durante a incursão policial, os agentes apreenderam computadores, documentos e materiais utilizados para roteirizar as abordagens fraudulentas.
Investigação e estrutura criminosa
A Polícia Civil apurou que a estrutura do golpe era sofisticada e envolvia o compartilhamento de sócios, endereços e dados contábeis entre diferentes empresas de fachada. Além das quatro gerentes presas, outros dez suspeitos foram conduzidos à delegacia para prestar esclarecimentos sobre a participação no esquema.
As quatro mulheres presas foram autuadas pelo crime de associação criminosa. No entanto, elas foram liberadas após o pagamento de fiança e responderão ao processo em liberdade. O caso foi registrado na 4ª Delegacia da Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCiber).
As investigações do Jornal da Band indicam que o próximo passo das autoridades é identificar o destino final do dinheiro extorquido e localizar os proprietários das empresas envolvidas. O foco agora recai sobre o rastreamento das contas bancárias utilizadas para receber os pagamentos das vítimas e a identificação de possíveis laranjas no quadro societário das firmas investigadas.
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