Jornal da Band

Polícia desmonta central de golpes contra aposentados na Faria Lima

Operação da Polícia Civil prendeu quatro mulheres que gerenciavam escritório de fachada no centro financeiro de São Paulo; grupo simulava ordens judiciais para extorquir idosos.

Rodrigo Hidalgo
RODRIGO HIDALGO

23/01/2026 • 19:14 • Atualizado em 23/01/2026 • 19:14

Central de golpes na Faria Lima tinha idosos como alvo

Central de golpes na Faria Lima tinha idosos como alvo

Reprodução/Band

A Polícia Civil de São Paulo desarticulou, nesta quinta-feira (22), uma central de golpes financeiros que operava em um dos endereços mais caros do país: a Avenida Brigadeiro Faria Lima. A "Operação Título Sombrio", realizada por agentes da DCCiber e do Deic, resultou na prisão de quatro mulheres, com idades entre 27 e 39 anos, que atuavam como gerentes e supervisoras do esquema.

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O grupo utilizava o prestígio da localização para conferir legitimidade às abordagens criminosas. Segundo as investigações, a empresa funcionava de forma híbrida: enquanto uma parte das cobranças era legítima, outra ala do escritório era dedicada exclusivamente a aplicar golpes em aposentados e pensionistas.

Estratégia de pressão e falsas ordens judiciais

O esquema criminoso baseava-se na compra ilegal de bancos de dados das vítimas. Com essas informações em mãos, os operadores entravam em contato com os idosos alegando a necessidade de recuperação de "créditos podres" — dívidas antigas ou já vencidas. Na maioria dos casos, as vítimas eram convencidas a pagar por débitos que sequer existiam.

Para aumentar o poder de persuasão, a quadrilha realizava disparos massivos de mensagens de texto que simulavam ordens judiciais e bloqueios iminentes de CPF. Ao entrar em contato com a central para resolver a pendência, o aposentado era atendido por operadores treinados para exercer pressão psicológica, utilizando termos jurídicos e ameaças de penhora de bens e bloqueio de benefícios previdenciários.

No escritório de luxo, trabalhavam mais de cem pessoas. Durante a incursão policial, os agentes apreenderam computadores, documentos e materiais utilizados para roteirizar as abordagens fraudulentas.

Investigação e estrutura criminosa

A Polícia Civil apurou que a estrutura do golpe era sofisticada e envolvia o compartilhamento de sócios, endereços e dados contábeis entre diferentes empresas de fachada. Além das quatro gerentes presas, outros dez suspeitos foram conduzidos à delegacia para prestar esclarecimentos sobre a participação no esquema.

As quatro mulheres presas foram autuadas pelo crime de associação criminosa. No entanto, elas foram liberadas após o pagamento de fiança e responderão ao processo em liberdade. O caso foi registrado na 4ª Delegacia da Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCiber).

As investigações do Jornal da Band indicam que o próximo passo das autoridades é identificar o destino final do dinheiro extorquido e localizar os proprietários das empresas envolvidas. O foco agora recai sobre o rastreamento das contas bancárias utilizadas para receber os pagamentos das vítimas e a identificação de possíveis laranjas no quadro societário das firmas investigadas.

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