Jornal da Band

Polícia esclarece roubo de arte em biblioteca de São Paulo

Na ocasião, dois criminosos armados invadiram o local e levaram 13 obras raras, incluindo gravuras de Portinari e Matisse

IGOR CALIAN

22/05/2026 • 20:43 • Atualizado em 22/05/2026 • 20:44

A Polícia Civil de São Paulo identificou Laéssio Rodrigues de Oliveira, conhecido como o maior ladrão de livros e obras de arte do país, como o suposto mentor do roubo ocorrido no final do ano passado na Biblioteca Mário de Andrade, na capital paulista. Na ocasião, dois criminosos armados invadiram o local e levaram 13 obras raras, incluindo gravuras de Portinari e Matisse.

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Desde o crime, que deixou um vazio nas paredes da biblioteca, as obras não haviam sido localizadas. O avanço das investigações permitiu que os policiais chegassem a Laéssio, que já possui um vasto histórico criminal no setor. Em um documentário intitulado "Cartas para um ladrão de livros", o próprio suspeito confessa seu primeiro furto, ocorrido décadas atrás, e detalha sua trajetória, que inclui o roubo de gravuras de Debret e Rugendas do século XIX.

Laéssio foi preso pela quinta vez no mês passado, no Rio de Janeiro. Segundo informações da polícia, ele estaria planejando o roubo de obras no Instituto Ruy Barbosa quando foi detido.

Esquema criminoso

Investigadores obtiveram áudios nos quais Laéssio explica parte da dinâmica do esquema. Em um dos trechos, ele admite não ser especializado em quadros, mas ressalta a facilidade de negociar peças de valor com os mesmos contatos que adquirem livros raros. "Mesmo a gente não tendo muita noção, a gente sabe que vale, aí depois a gente faz uma pesquisa, depois de consultar várias pessoas", afirma em um dos registros.

Desdobramentos

Nesta operação, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Rio de Janeiro. Na zona leste da capital paulista, na casa de um dos comparsas de Laéssio, foram apreendidas sete obras de arte que ainda não tiveram a origem identificada. Além de Laéssio e do comparsa, uma mulher apontada como peça importante na rede criminosa também foi presa.

A suspeita central das autoridades é de que as 13 obras raras roubadas da Biblioteca Mário de Andrade tenham sido enviadas e vendidas no mercado internacional.