A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu, nesta sexta-feira (23) Adílio Campos Chagas, apontado como o chefe de uma organização criminosa especializada na falsificação de atestados médicos.
A prisão ocorreu na comunidade da Rocinha, localizada na Zona Sul da capital fluminense. Segundo as investigações, o esquema era uma atividade familiar: o detido herdou o comando da fraude após a morte do pai.
O golpe, que funcionava há pelo menos cinco anos, baseava-se na comercialização de documentos falsos para justificar a ausência de funcionários em seus postos de trabalho. A fraude era operada prioritariamente pela internet, onde os criminosos disponibilizavam uma tabela de preços estruturada de acordo com o período de afastamento solicitado pelo comprador.
Funcionamento do esquema e tabela de preços
O sistema de vendas era direto e permitia que o cliente escolhesse, inclusive, a doença que seria registrada no documento fraudulento. Para um dia de afastamento, o valor cobrado era de R$ 25. Já para períodos maiores, como cinco dias de folga, o preço subia para R$ 75. Após a negociação e escolha do diagnóstico, o pagamento era realizado obrigatoriamente via Pix.
A organização mantinha uma logística rígida para a entrega física: o atestado ficava guardado por até um mês à espera do comprador; caso não houvesse a retirada nesse período, o documento era destruído. Para garantir a veracidade aparente dos papéis, a quadrilha utilizava receitas e carimbos falsificados de diversas unidades de saúde, tanto da rede pública quanto da rede privada.
Investigação e desarticulação
A desarticulação do grupo teve início após uma denúncia formal apresentada por uma médica. A profissional identificou que seu nome, registro profissional e carimbo estavam sendo utilizados indevidamente pelos golpistas para validar os atestados falsos.
Na delegacia, o chefe do esquema confessou a prática do crime. Até o estágio atual das investigações, a polícia afirma que não há indícios de participação de funcionários ou da administração dos hospitais cujos nomes eram utilizados nos impressos.
O foco das autoridades agora se volta para a identificação de outros possíveis integrantes da rede de falsificação e dos clientes que se beneficiaram da fraude, uma vez que o uso de documento falso também configura crime.
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