
Chefe do PCC que planejou sequestrar Moro é preso
Reprodução/Band
A Polícia Civil do Ceará prende, durante a madrugada, Sidney Rodrigo Aparecido Piovesan, conhecido como "El Cid", apontado como uma das lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo. O criminoso é um dos principais suspeitos de coordenar o plano da facção para sequestrar e matar o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) em 2023. A prisão ocorre de forma inesperada no município de Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, após uma sucessão de eventos iniciada em uma blitz rodoviária.
A captura de El Cid é viabilizada pela detenção prévia de sua esposa em Iguatu, cidade localizada a cerca de 300 quilômetros da capital cearense. Durante uma fiscalização de trânsito, a mulher, que viajava em direção a São Paulo, apresenta documentos falsos às autoridades.
A partir dessa abordagem, os agentes conseguem rastrear o paradeiro do companheiro, que vivia escondido em solo cearense. Com o suspeito, a polícia também apreende documentação fraudulenta.
Histórico criminal e ameaças a autoridades
Segundo as investigações da Polícia Federal, Piovesan integra um núcleo específico da organização criminosa responsável por planejar ataques contra servidores públicos e autoridades políticas. O plano contra Sergio Moro é atribuído à atuação do senador quando este ocupava o cargo de Ministro da Justiça. Na ocasião, Moro articulou a transferência de cúpulas da facção, incluindo o líder máximo Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, para presídios de segurança máxima no sistema penitenciário federal.
Além do senador, o grupo liderado por El Cid mantinha em seu radar outros nomes de peso no combate ao crime organizado. Entre os alvos está o promotor de Justiça de São Paulo, Lincoln Gakiya, que atua há décadas na investigação da facção. A inteligência policial indica que o núcleo criminoso também articulava atentados diretos contra policiais civis e militares.
Sidney Piovesan é considerado um fugitivo do sistema prisional paulista desde 2022, quando deixou uma penitenciária e não retornou. Contra ele, já existiam dois mandados de prisão em aberto pelos crimes de homicídio e associação ao tráfico de drogas. A prisão no Ceará interrompe uma trajetória de fuga que durava quase quatro anos e representa um golpe na estrutura logística do PCC fora do eixo Sudeste.
O preso agora aguarda os trâmites judiciais para a possível transferência de volta ao estado de São Paulo ou para uma unidade federal, dada a periculosidade e o histórico de ameaças contra o Estado. As autoridades continuam as diligências para identificar outros membros da rede de apoio que auxiliavam na manutenção do esconderijo de El Cid no Nordeste.
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