Jornal da Band

Política migratória de Trump afeta torcedores, seleções e árbitros na Copa

Irã teve cota de ingressos anulada e treina no México por demora em vistos; árbitro somaliano eleito melhor da África em 2025 foi impedido de entrar nos EUA

EDUARDO BARÃO

09/06/2026 • 22:57 • Atualizado em 09/06/2026 • 22:57

A dois dias do início da Copa do Mundo, a rígida política migratória do governo Donald Trump já deixa marcas no torneio. Desde que voltou à Casa Branca, há um ano e meio, Trump colocou em prática restrições totais ou parciais a cidadãos de 40 países por meio de decretos. A caçada a imigrantes ilegais virou rotina nas ruas americanas – e os efeitos chegaram ao futebol.

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A Federação de Futebol do Irã acusou os Estados Unidos de anularem a cota de ingressos destinada a torcedores do país. A seleção iraniana também enfrentou obstáculos: treinou em Tijuana, no México, por causa da demora na emissão de vistos aos jogadores, concedidos somente na última sexta-feira (5).

Nesta segunda-feira, o governo americano confirmou que a delegação poderá entrar nos EUA na véspera dos jogos, e não apenas no mesmo dia das partidas, como informado anteriormente.

O caso mais emblemático é o do árbitro Omar Artan, da Somália. Eleito o melhor árbitro africano de 2025, Artan estava na lista dos 52 juízes escolhidos pela FIFA para atuar na Copa, mas foi impedido de entrar nos Estados Unidos. Em entrevista ao jornal The New York Times, disse que teve o sonho de apitar o mundial interrompido por preconceito com seu país.

Outras seleções também foram alvo de revistas rigorosas. Jogadores do Senegal foram abordados ainda na pista do aeroporto de Houston. A delegação do Uzbequistão teve as bagagens inspecionadas por cães farejadores na frente do hotel em Nova York.

Apesar do clima hostil, os agentes do ICE, a agência de imigração americana, não farão batidas atrás de imigrantes ilegais durante a Copa. Ainda assim, o governo mantém o cerco a profissionais de países considerados ameaça à segurança nacional.

O contraste com a recepção no México é evidente. Uma banda de mariachis recebeu a seleção da Espanha antes de um amistoso contra o Peru — clima bem diferente do encontrado pelos times que desembarcaram em solo americano.