Jornal da Band

Pouco alimento aumenta drama da população de Gaza; ex-premiê de Israel condena matança

Programa Mundial de Alimentos lançou um alerta: 66 mil crianças palestinas estão em estado de desnutrição aguda

FELIPE KIELING

27/05/2025 • 19:34 • Atualizado em 27/05/2025 • 19:34

Alimentos em Gaza

Alimentos em Gaza

REUTERS/Hatem Khaled

Depois da pressão internacional denunciando o massacre e a situação de fome extrema em Gaza, Israel decidiu agir. Nesta terça-feira (27), colocou em ação um novo plano para distribuir alimentos aos civis palestinos.

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Israel contratou empresas para entregar os alimentos. A ideia era afastar o Hamas da função e organizar a doação por famílias. Mas as imagens mostram outro cenário: desorganização e desespero. Milhares de pessoas correndo pra conseguir uma caixa com mantimentos.

A quantidade foi longe de ser suficiente, muitos ficaram sem. Quem conseguiu tem alimentos para poucos dias. Na caixa tem biscoito, massa, açúcar, óleo, farinha e alguns enlatados.

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que o novo plano de ajuda criado por Israel, com apoio dos Estados Unidos, é uma distração. Em vez de abrir as fronteiras para a entrada real de suprimentos, aposta-se em uma iniciativa privada, fora dos canais oficiais. A maioria das agências humanitárias se recusou a participar.

Do lado de fora, a cena é revoltante: mais de três mil caminhões parados, lotados de alimentos, vacinas, remédios - enquanto crianças morrem de fome. Muitos desses carregamentos já estão com validade prestes a expirar.

O Programa Mundial de Alimentos lançou um alerta: 66 mil crianças palestinas estão em estado de desnutrição aguda. Isso não é uma crise. É uma sentença de morte.

Já são 600 dias de massacre. Desde outubro de 2023, mais de 54 mil palestinos foram mortos nos bombardeios israelenses, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. Entre os mortos, milhares de crianças.

Condenações vêm até de Israel

O ex-primeiro-ministro Ehud Olmert declarou que o país está cometendo crimes de guerra na Faixa de Gaza. E denunciou o que chamou de "matança indiscriminada" de civis palestinos.

Entre as vítimas recentes está Yaqeen Hammad, de apenas 11 anos, a mais jovem influenciadora digital de Gaza. Conhecida por seus vídeos com dicas de sobrevivência em meio à guerra.

Na sexta-feira, ela foi morta durante um ataque aéreo israelense que atingiu sua casa, em Deir al Balah. A notícia de sua morte provocou uma onda de comoção nas redes sociais. Seguidores e ativistas destacaram sua coragem e generosidade.