Tudo começa no laboratório. Os mosquitos recebem uma bactéria chamada wolbachia. Quando a fêmea se reproduz, passa os organismos para os filhotes, que já nascem sem conseguir transmitir doenças como dengue, zika ou chikungunya.
Os insetos são criados em ambientes controlados, em larga escala. No Paraná, a maior biofábrica desses mosquitos foi inaugurada, neste domingo (19), instalada no Parque Tecnológico da Saúde, em Curitiba.
A estratégia é soltar 100 milhões deles por semana, em várias cidades do país. Quem define para onde eles vão é o Ministério da Saúde.
“Eles vão se multiplicando e chega um momento que eles estão em maioria ali naquela população. Eles substituem a população local. O que a gente espera, depois, é uma redução na incidência das doenças”, disse Luciano Moreira, CEO do Wolbito do Brasil.
O método foi criado na Austrália, em 2020, e já chegou a 11 cidades brasileiras. Em Niterói, o resultado foi positivo e conseguiu reduzir em 70% os casos de dengue.
“Os municípios recebem esses mosquitos em cápsulas e cuidam até a vida adulta. Depois, eles são soltos na natureza”, explicou o gerente de produção da fábrica, Antônio Brandão.
Cinco municípios estão se preparando para receber os mosquitos: Balneário Camboriú e Blumenau, em Santa Catarina, Valparaíso e Luziânia, em Goiás, e Brasília, no Distrito Federal. A previsão é que, até o fim do ano, 18 estados passem a contar com a cobertura.
“A curva, nos últimos anos, vem subindo. A doença é resultado da circulação desses animais. Impedindo isso, devemos ter uma queda, um declínio na curva”, informou Tatiane Filipak, secretária municipal de Saúde de Curitiba.

