O mercado imobiliário brasileiro registrou em 2025 a segunda maior alta nos preços dos imóveis residenciais dos últimos 11 anos. Com um avanço médio de 6,5%, o índice de valorização ficou acima da inflação oficial, sendo superado apenas pelo desempenho registrado em 2024.
O aumento impacta diretamente o acesso à casa própria, uma vez que unidades compactas, de aproximadamente 45 metros quadrados, chegam a custar quase o dobro do que valiam há poucos anos. A pressão nos preços é resultado de uma combinação de fatores econômicos e geográficos que encarecem o produto final para o consumidor.
Custos de construção e escassez de terrenos
A elevação nos preços de venda reflete o aumento nos custos operacionais do setor. Segundo a análise de Daniel Agostinho, gestor de novos serviços, a alta da matéria-prima e o custo da construção civil foram determinantes para o cenário atual.
Além do custo de obra, a valorização dos terrenos — especialmente em cidades litorâneas — impulsiona os valores. "Os terrenos hoje são muito valorizados, o que eleva consideravelmente o custo total", explica Agostinho. A escassez de áreas disponíveis para novas construções, somada a uma demanda aquecida, sustenta a curva de crescimento dos preços.
Salvador lidera valorização entre capitais
O Nordeste brasileiro concentra as maiores altas percentuais do país. Salvador ocupa o topo do ranking das capitais com maior valorização, registrando um salto de 16,25% nos preços em 2025. O fenômeno na capital baiana é impulsionado pelo fortalecimento do turismo e pelo interesse de investidores.
As capitais com maiores altas foram:
Salvador (BA): +16,25%
João Pessoa (PB): +15,15%
Vitória (ES): +15,13%
São Luís (MA): +13,9%
Fortaleza (CE): +12,61%
No mercado de luxo e alto padrão, Balneário Camboriú, em Santa Catarina, mantém o posto de metro quadrado mais caro do país. Entre as capitais, Vitória lidera o ranking de valores (R$ 14.108/m²), seguida por Florianópolis (R$ 12.773/m²) e São Paulo (R$ 11.900/m²).
Perspectivas e impacto dos juros para 2026
Para o ano de 2026, a expectativa do setor imobiliário é de maior estabilidade nos preços. O principal fator para impulsionar o volume de vendas e facilitar a aquisição de imóveis é a redução da taxa básica de juros (Selic), que atualmente funciona como um entrave para o crédito imobiliário.
Na visão de Kelsor Fernandes, presidente do sindicato de compra e venda de imóveis, a taxa de juros elevada é hoje o principal gargalo do setor. Fernandes avalia que uma queda efetiva nos juros ajudará a destravar o mercado, permitindo que mais pessoas realizem o sonho de adquirir um bem imóvel e voltem a movimentar a economia nacional.
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