A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, iniciou uma ofensiva diplomática para tentar reduzir a tensão com os Estados Unidos. Em uma série de telefonemas realizados com o presidente Lula, com o colombiano Gustavo Petro e com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, a líder venezuelana afirmou que pretende tratar o que classificou como "agressão criminosa" dos americanos estritamente pela via diplomática.
As relações entre Caracas e Washington estão formalmente rompidas desde 2019, ano em que os Estados Unidos fecharam sua embaixada na capital venezuelana. Agora, apesar de sua trajetória ligada ao chavismo e à luta armada, Rodríguez sinaliza uma mudança de postura ao indicar que está disposta a trabalhar com Donald Trump para ressuscitar a economia petrolífera da Venezuela.
Relação com Donald Trump e o setor petrolífero
Nos dias que se seguiram à captura de Nicolás Maduro, o presidente americano Donald Trump alternou tons em suas declarações sobre a nova liderança venezuelana. Trump chegou a elogiar Delcy Rodríguez, referindo-se a ela como "uma parceira americana graciosa". No entanto, o tom cordial foi acompanhado de ameaças diretas: o presidente americano exige "acesso total" às reservas de petróleo do país, sob o risco de retaliações caso o pedido não seja atendido.
Para avançar nessas negociações, Rodríguez espera ser recebida na Casa Branca na próxima semana. A agenda prevista inclui uma série de reuniões com órgãos do governo americano para discutir a retomada da cooperação econômica e a estabilidade regional.
Mediação internacional e prova de vida
No campo da articulação internacional, a presidente interina expressou agradecimento ao Emir do Catar. O país do Oriente Médio desempenhou um papel fundamental ao garantir a primeira prova de vida de Nicolás Maduro e de sua esposa logo após a captura do ex-líder. Além disso, o Catar se colocou à disposição para atuar como um canal permanente de diálogo entre os governos de Venezuela e Estados Unidos.
A movimentação de Delcy Rodríguez é vista como um passo estratégico para tentar legitimar seu governo interino perante a comunidade internacional, ao mesmo tempo em que busca aliviar as sanções econômicas que sufocam a indústria de petróleo venezuelana
Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela
Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania
Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.
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