As autoridades brasileiras intensificam o combate ao garimpo ilegal, que anualmente desvia parte das cerca de 90 toneladas de ouro produzidas no país. Uma operação recente em Roraima, realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), resultou na interceptação de uma aeronave usada para abastecer garimpeiros em Terra Yanomami, seguida da prisão dos envolvidos e da destruição do avião.
A abordagem, capturada em vídeo, mostra um avião se preparando para pousar em uma estrada vicinal enquanto cúmplices bloqueiam a pista. De acordo com o superintendente da PRF em Roraima, Marcelo Aguiar, o uso de estradas vicinais para pouso e decolagem dessas aeronaves se tornou uma prática comum, após o Estado começar a destruir as pistas clandestinas.
A ação da polícia surpreendeu os homens que iriam carregar a aeronave com suprimentos. Após a prisão dos envolvidos, o avião foi incendiado pelos agentes. Um voo para essas áreas pode custar de R$ 40 mil a R$ 50 mil, o que, segundo o coordenador da Casa de Governo, Nilton Tubino, comprova a existência de financiadores por trás da atividade.
Ouro financia o crime organizado
A Polícia Federal (PF) concentra seus esforços na identificação e prisão dos financiadores da logística do garimpo. Aeronaves e helicópteros, apreendidos pela PF em operações, eram utilizados para transportar ouro, suprimentos e até drogas. A alta rentabilidade e a fácil comercialização do ouro têm atraído facções criminosas para o setor. Marcelo Aguiar, superintendente da PF, afirma que o envolvimento do crime organizado é notável e confirma o que ele chama de "narcogarimpo".
O garimpo ilegal tem devastado terras indígenas e reservas ambientais, principalmente em Roraima e Mato Grosso. O maquinário utilizado varia: em Roraima, o trabalho é mais manual, enquanto em Mato Grosso, como na região de Pontes e Lacerda, os garimpeiros utilizam equipamentos pesados, como escavadeiras hidráulicas. A reportagem do Jornal da Band mostrou uma dessas máquinas, inutilizada pelas autoridades.
A logística criminosa é complexa, utilizando quadriciclos para transportar bebidas, alimentos, combustíveis e motores para os acampamentos clandestinos. As autoridades acreditam que existe um grande financiador por trás das ações na região do Rangel, em Roraima, uma das poucas que resistem às operações de combate.
Crescimento das exportações e falta de rastreabilidade
Dados do Instituto Escolhas revelam que, em 2023, mais de 90% do ouro brasileiro importado por países europeus era oriundo de áreas com alto risco de ilegalidade. O Brasil é o 14º maior produtor mundial de ouro, atrás de China, Rússia e Austrália, conforme o Serviço Geológico dos EUA.
Apesar da produção significativa, o país tem poucos mecanismos para rastrear a origem do ouro. No primeiro semestre deste ano, as exportações de ouro cresceram 60%, impulsionadas por uma alta de quase 40% no preço do minério.
Será necessário fortalecer a fiscalização e aprimorar os sistemas de rastreamento, como um sistema de marcação semelhante ao de cédulas, que será tema de uma reportagem futura.
Texto gerado artificialmente e revisado por Band.com.br.
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