Jornal da Band

Protestos globais são impulsionados pela Geração Z

Jovens nascidos a partir de 1997 transformam celulares em ferramentas de organização política e utilizam redes sociais para viralizar manifestações, pressionando governos com a velocidade da internet

FELIPE KIELING

26/10/2025 • 17:09 • Atualizado em 26/10/2025 • 17:09

Os protestos políticos que têm ocorrido em diversos países nos últimos meses apresentam um elemento novo e central: a participação ativa de grupos de jovens que nasceram e cresceram inteiramente imersos no mundo digital. Essa é a Geração Z, composta por nativos digitais nascidos entre 1997 e 2012, que transformaram o celular em um megafone político.

Compartilhar

Para essa geração, o processo de mobilização começa com um post nas redes sociais, ganha força em grupos de mensagens e, em seguida, se materializa nas ruas, onde o evento é filmado, transmitido e viralizado. A Geração Z não imprime panfletos, mas posta online e atinge milhares, às vezes, milhões de pessoas em minutos.

Exemplos de mobilização global

A força dessa nova forma de protesto foi observada em vários países.

No Peru, a mobilização começou como uma resposta a uma reforma da Previdência que penalizava os jovens. Em apenas uma semana, estudantes e trabalhadores tomaram o centro da capital, Lima. As manifestações rapidamente se espalharam e se transformaram em um movimento contra a corrupção e a desigualdade.

Apesar da resposta do governo, que envolveu gás lacrimogêneo e censura à imprensa, o controle da narrativa foi perdido. Quem escreveu a nova narrativa foi a juventude, majoritariamente online.

No Nepal, o governo tentou conter o movimento ao bloquear plataformas populares como Facebook, Instagram e YouTube. No entanto, a Geração Z se reorganizou imediatamente em plataformas menos convencionais e com maior segurança, como Discord, Telegram e usando Redes Virtuais Privadas (VPNs) improvisadas.

Em poucas horas, as ruas ficaram cheias. O país registrou protestos massivos, repressão pesada e renúncias dentro do gabinete ministerial. Essa foi a primeira revolta organizada quase inteiramente utilizando servidores de internet no exterior e grupos encriptados, o que significa que a rede de comunicação virtual estava protegida.

Protestos similares impulsionados pela Geração Z também abalaram governos em países como Sri Lanka, Quênia, Madagascar e Marrocos. A mobilização por meio de hashtags que os governos não conseguem controlar se tornou uma tática eficaz.

A Geração Z está moldando a maneira como a política é feita e como as insatisfações são respondidas. Para essa geração, um governo que não reage na mesma velocidade da internet já está atrasado, mesmo que a solução para problemas complexos exija tempo.

Tópicos relacionados