Um novo levantamento revelou que aproximadamente meio milhão de pessoas vivem em áreas consideradas de risco no Rio Grande do Sul. Muitas dessas regiões já foram devastadas por enchentes e deslizamentos em 2024, e os moradores relatam viver com medo, especialmente com a aproximação de períodos de chuva.
A maior parte das áreas classificadas como de alto risco para inundações e deslizamentos está concentrada na Serra Gaúcha, em municípios como Caxias do Sul e Gramado. A Região Metropolitana de Porto Alegre também apresenta áreas vulneráveis.
Em Eldorado do Sul, 90% da cidade foi inundada em maio de 2024. Cerca de 30 mil moradores — 75% da população total do município — precisaram deixar suas casas. A região é classificada como de alto risco para inundações por estar às margens do Rio Jacuí, um dos formadores do Lago Guaíba.
Mapeamento de Risco e Sistemas de Alerta
O levantamento foi realizado pelo Serviço Geológico do Brasil em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e divulgado nesta semana. O estudo mapeou cerca de duas mil regiões em todo o estado com riscos para desastres naturais.
Além do mapeamento, o Sistema de Alerta Hidrológico do Guaíba foi lançado para monitorar em tempo real a variação dos níveis dos rios no estado. A tecnologia cobre 30% do território gaúcho.
“Onde a gente vai colocar as casas, onde é que é seguro para a pessoa morar… e onde é que é seguro que a pessoa, assim, que eu não vou estar gerando um novo problema, porque se eu botar lá 1500 pessoas, 1500 famílias numa área que inunda, ou que tem alguma chance, mesmo que pequena, de inundar, são 1500 famílias que eu tenho que atender depois do evento. Então, a gente precisa pensar, assim, no planejamento”, disse a pesquisadora Débora Lamberty
Obras de Prevenção em Andamento
Obras públicas de prevenção ainda estão em andamento, incluindo a elevação dos diques de proteção. Algumas comportas de contenção já foram fechadas de forma definitiva.
Mais de um ano após as grandes enchentes, também foram iniciadas as obras de melhorias nas estações de bombeamento, que apresentaram falhas e problemas durante a inundação de maio de 2024. As autoridades trabalham para finalizar as intervenções estruturais necessárias para a proteção das áreas mais suscetíveis a novos desastres.
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