A ofensiva militar dos Estados Unidos no Irã provocou uma baixa política significativa no governo de Donald Trump. Joe Kent, que ocupava o cargo de assessor de contraterrorismo, pediu demissão nesta terça-feira (17), disparando duras críticas à estratégia adotada pela Casa Branca.
Trajetória militar e polêmicas na nomeação
Joe Kent assumiu a responsabilidade de detectar e analisar ameaças terroristas em solo americano em fevereiro de 2025. Com um currículo que inclui 20 anos nas Forças Armadas, ele serviu em grupos de elite em zonas de conflito como Iraque, Iêmen e o norte da África, além de ter passagens pela CIA.
Sua nomeação, no entanto, não foi isenta de controvérsias. Na época, a oposição criticou a escolha devido às ligações de Kent com teorias conspiratórias e figuras da direita radical.
O divisor de águas: a tragédia familiar na Síria
A postura crítica de Kent em relação a intervenções militares estrangeiras tem raízes pessoais profundas. Em 2019, sua primeira esposa, uma técnica da Marinha, foi morta em um atentado perpetrado por um homem-bomba do Estado Islâmico na Síria. O episódio transformou Kent em um opositor feroz de guerras prolongadas e do que ele considera aventuras militares desastrosas.
A carta de demissão e as críticas a Israel
Ao oficializar sua saída do governo, Kent foi enfático ao afirmar que "não pode, em sã consciência, apoiar a guerra no Irã". Na sua carta de demissão, o agora ex-assessor defendeu que o Irã não representava uma "ameaça iminente" aos Estados Unidos.
Kent foi além e atribuiu o início do conflito à influência externa, afirmando que a ofensiva foi motivada por pressão de Israel e de seu "poderoso lobby em Washington". Ele comparou a situação atual com a "desastrosa guerra do Iraque", alegando que a mesma tática de influência estaria sendo repetida.
A reação de Donald Trump
O presidente Donald Trump não poupou críticas ao ex-colaborador após o pedido de demissão. Em reação pública, Trump classificou Joe Kent como "muito fraco em segurança" e afirmou que sua saída foi positiva para o governo.
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