
Raízen entra com pedido de recuperação extrajudicial; entenda os impactos
Band TV
O Grupo Raízen, um dos maiores nomes do agronegócio e do setor de energia no Brasil, anunciou nesta quarta-feira um pedido de recuperação extrajudicial recorde no país. A companhia busca renegociar R$ 65 bilhões em dívidas, após um período de expansão agressiva que coincidiu com a alta global das taxas de juros. O processo abre um prazo de 90 dias para que a empresa obtenha o apoio formal da maioria de seus credores, sendo que 47% deles já sinalizaram acordo com os termos propostos.
Criada em 2011 a partir da joint venture entre o grupo nacional Cosan, do empresário Rubens Ometto, e a multinacional Shell, a Raízen consolidou-se como uma gigante verticalizada. A operação integrou a produção de açúcar e etanol à vasta rede de distribuição de combustíveis e ao segmento de aviação. Atualmente, a empresa opera 35 usinas, 70 terminais de distribuição e está presente em aeroportos de seis países, além de contar com uma rede de 8 mil postos Shell e empregar 45 mil funcionários.
Alavancagem e cenário econômico
Nos últimos anos, a Raízen investiu pesadamente para se tornar uma referência global em bioenergia e diversificou sua atuação em frentes como a rede de mercados de proximidade Oxxo. No entanto, o custo de capital para financiar esses projetos elevou o endividamento total para mais de R$ 72 bilhões. De acordo com a análise do cenário, o aumento dos juros impactou diretamente a capacidade da companhia de honrar os compromissos nos moldes originais, levando à necessidade da recuperação extrajudicial.
Diferente de uma recuperação judicial comum, a modalidade extrajudicial indica que a empresa já iniciou as negociações com os detentores da dívida antes de acionar o Judiciário. O objetivo é evitar a interrupção das operações e garantir a manutenção dos empregos e da cadeia produtiva de etanol e açúcar, essenciais para a economia brasileira.
Plano de capitalização e sócios
Para recuperar o fôlego financeiro, o plano de reestruturação envolve a conversão de parte da dívida em participação acionária. Credores negociam transformar R$ 16 bilhões dos débitos em capital, tornando-se sócios diretos da empresa.
Além da conversão de dívidas, os controladores devem realizar aportes financeiros imediatos para garantir a liquidez da operação:
- Shell: Previsão de aporte de R$ 3,5 bilhões.
- Rubens Ometto (Cosan): Previsão de aporte de R$ 500 milhões.
Com a entrada desses recursos e a repactuação dos prazos, a Raízen projeta estabilizar sua estrutura de capital e focar na rentabilidade de seus ativos de bioenergia e distribuição. O mercado acompanha atentamente os próximos 90 dias, prazo em que a companhia precisa consolidar o quórum de credores para validar o plano perante a Justiça.
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