
Twitter troca de nome
Reprodução
A sede da rede social X (antigo Twitter) em Paris foi alvo de uma operação de busca e apreensão nesta terça-feira (3). A plataforma, de propriedade do bilionário Elon Musk, é investigada pelas autoridades francesas por suspeitas de crimes cibernéticos, manipulação de imagens e influência indevida em debates políticos.
A ação foi coordenada pela unidade de crimes cibernéticos da Promotoria de Paris e contou com o apoio da Europol, a agência policial da União Europeia. O inquérito, que já dura um ano, apura abusos de algoritmos e a coleta ilegal de dados de usuários, mas ganhou novas proporções nas últimas semanas após denúncias envolvendo o Grok, o sistema de Inteligência Artificial da rede social.
Deepfakes e manipulação de inteligência artificial
O foco central da ampliação da investigação é a criação e disseminação de "deepfake porn" pela ferramenta Grok. Segundo as autoridades, a plataforma permitiu a manipulação de fotos, principalmente de mulheres e crianças, transformando-as em conteúdo pornográfico sem qualquer consentimento das vítimas.
As queixas em massa sobre a ferramenta indicam falhas graves na moderação de conteúdo. Além da questão das imagens, a polícia francesa analisa se o X utilizou dados pessoais de forma indevida para treinar sua inteligência artificial, o que fere normas rígidas de privacidade da União Europeia.
A investigação também apura se a rede social manipulou sistemas de recomendação para influenciar debates públicos ou facilitar a interferência estrangeira em processos políticos. Especialistas em crimes digitais participam da análise do material para entender como o algoritmo entrega informações aos usuários.
Elon Musk é convocado para prestar depoimento
A Promotoria francesa confirmou que Elon Musk foi formalmente convocado para uma audiência no dia 20 de abril. Além do proprietário da Big Tech, outros executivos e funcionários da empresa foram notificados para prestar depoimento na condição de testemunhas.
A operação não detalhou quais equipamentos ou documentos foram apreendidos nos escritórios de Paris. Até o momento, nenhum representante oficial do X se manifestou sobre a blitz. No início do inquérito, em 2025, Musk negou irregularidades e afirmou que as investigações possuíam motivações políticas contra a empresa.
Riscos de multas milionárias e desdobramentos
O problema jurídico do X não se restringe à França. O Reino Unido também conduz uma investigação paralela sobre a produção de deepfakes pelo Grok e a coleta ilegal de dados pessoais. As sanções financeiras podem ser severas caso as irregularidades sejam comprovadas.
A plataforma corre o risco de ser condenada a pagar uma multa estimada em R$ 125 milhões. Dependendo da gravidade e da interpretação das leis digitais europeias, a punição pode chegar a 4% do faturamento anual global da empresa, o que representaria um impacto financeiro bilionário para a companhia de Elon Musk.
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