Como as chamadas "experiências de quase morte" mudam o comportamento de quem vive essa situação? O que as diferentes religiões pensam sobre isso? A nova série do Jornal da Band aborda o que acontece na vida após a morte. “Eu realmente vi uma luz, vi Jesus, vi meu pai, que é morto, no teto, em Paris, quando meus filhos nasceram”, disse Marina Giuberti ao Jornal da Band.
Ela relata que o parto foi complicado, e que percebeu que estava ficando fraca, “vou morrer em alguns minutos”.
“E aí só que eu ainda lembro de eu estar assim numa espécie de túnel onde eu conversava… uma passagem de luz, mas eu via a sala do hospital, eu estava ali naquela sala, não estava mais consciente como agora, era outro tipo de consciência”, completou.
Assim como aconteceu com Marina, é comum que aqueles que chegam perto da morte sintam que a alma saiu do corpo e viajou por outra dimensão. Mas que dimensão é essa, afinal?
Cristianismo
"Acreditamos que a verdadeira natureza que existe do outro lado só pode ser conhecida plenamente após a morte física quando a alma se separa do corpo. O que vem depois da morte, em última análise, é um mistério que só será plenamente revelado quando estivermos face a face com Deus”, disse o padre Reginaldo Manzotti.No pensamento cristão, conforme o próprio Jesus Cristo disse, os injustos arderão no fogo do inferno e os justos viverão eternamente no reino dos céus.
Alguns dos primeiros cristãos, os chamados gnósticos, descreveram Jesus exatamente da mesma maneira como o descrevem aqueles que vivem as experiências de quase-morte: um ser feito apenas de luz, com o poder de subir e descer do céu, brilhando em uma luz imensurável.
Budismo
Monja Coen, líder budista, viveu uma experiência de quase-morte depois de um acidente de carro. “Eu estava morrendo, eu estava vendo tudo verde, era muito interessante, as pessoas todas estavam verdes eu falei a única experiência quase de chegar lá”, relatou.
A Monja estava no Japão, e disse que se conectou com entidades budistas.
"Não fui chamar Maria não fui chamar Jesus que a tradição na qual minha família me criou, mas eu fui chamar uma entidade budista como se ela pudesse ser aquela que me conduzisse nessa passagem da vida para a morte", disse.
Ainda assim, a Monja explica que, para o zen budismo, que ela pratica, a alma é algo que simplesmente não existe. “O primeiro ensinamento de Buda não há nada fixo nem nada permanente tudo está em constante transformação, não existe uma alma fixa e permanente”, completou.
Experiências de quase-morte têm muito em comum
Mesmo com diferenças religiosas e culturais, os relatos de quem experimenta a quase-morte têm muito em comum.
“No momento em que a morte se aproxima, a pessoa que vive essa experiência vê tudo ficar escuro. Tem a sensação de que o corpo está morto e sente a alma sair”“É comum ver o corpo morto caído no chão depois de um acidente, ou na cama do hospital. Normalmente, a pessoa que experimenta a quase morte, vê uma luz branca muito forte e vai em direção a ela, sentindo que sua alma está indo para uma outra dimensão”
“Um lugar parecido com a ideia que temos de um paraíso celestial. A alma é recebida por pessoas feitas de luz ou vestidas de branco, algumas pessoas chamam esse lugar de nosso lar. É uma sensação profunda de paz e acolhimento”
E a consequência inevitável dessa experiência é uma transformação: quem consegue escapar da morte ama mais intensamente, passa a gostar mais dos outros e se torna uma pessoa mais feliz.
Ente as inúmeras tentativas científicas de explicar o mistério da ressurreição de Jesus, surgiu uma hipótese, jamais aceita entre cristãos, que afirma que, ao ser pregado na cruz, ele teria passado por uma experiência de quase-morte.
Ainda segundo a tese, Jesus teria voltado a viver e, muito tocado pelo que experimentou, passou a pregar o amor incondicional, algo que só depois de viver a experiência de quase morte, Ana Carolina conseguiu entender.
“O amor incondicional pelas pessoas agora virou uma verdade era uma ideia virou uma verdade", disse.
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